Graduanda em Música popular pela Unicamp, começou na bateria e percussão aos 10 anos de idade. Estudou percussão no conservatório de Tatuí e foi professora e percussionista da filarmônica da Escola Eleazar de Carvalho em Itu. Estudou na New York Jazz Workshop School of Music com Marc Mommaas, Tim Horner e Tony Moreno em Nova York em 2013, faz aulas de especialização em bateria com Edu Ribeiro por anos e fez workshops e teve aulas com bateristas como Jammey Haddad, Matt Wilson, Jeff Hamilton, Art Gore, John Von Ollen e outros. Ao longo dos anos tocou bateria em bandas de festa, de rock, mpb, jazz, percussão em grupos de samba, também atuou como diretora musical, percussionista e baterista de diversos espetáculos e montagens. Estudou no College Conservatory of Music na University of Cincinnati pelo programa Conexões Culturais entre Jazz e MPB da Capes/Fipse em 2014.

Modulação métrica em jazz - parte 3

05 de janeiro de 2015, por Yara Oliveira
Oi Pessoal!
Estou de volta com mais um artigo pro Batera.com.br.

Dessa vez, como prometido, vou finalizar o assunto da modulação métrica no jazz 'primeiros passos' mostrando duas das muitas maneiras de praticar isso de forma mais musical e mais próxima do que podemos fazer ao tocar com um grupo.  Também vou indicar bateras que usam modulação métrica em seus trabalhos pra vocês ouvirem, curtirem e pegarem ideias!

Este artigo terá dois vídeos: no primeiro vou mostrar a primeira maneira de se praticar a modulação no jazz mais musicalmente. No segundo vou mostrar a segunda forma de praticar que desenvolve mais do que habilidades baterísticas em si, mas também habilidades de canto, reconhecimento e domínio de melodia e forma de temas de jazz.

Primeira prática
 
Você tem um smartphone? Se sim, podemos usá-lo agora! Eu uso um aplicativo chamado 'iReal Pro' no meu celular. Ele disponibiliza um banco de temas de jazz com as opções de bateria, piano e baixo tocando, só harmonia sem melodia. Com ele tenho a opção de tirar a bateria e ouvir somente o baixo e piano. Posso controlar andamento, volume e tudo mais. O fato de não ter a melodia do tema é quase irrelevante pra este exercício (apesar de afirmar que seria melhor se tivéssemos melodia), pois o que queremos é a prática do swing, do tempo, do movimento da música.

O que faremos é pegar um tema qualquer desse banco e brincar com as modulações 5, 6 e 7. O 3 vamos deixar pro próximo exercício.

Podemos ir tocando e ir tentando encaixar diferentes modulações em diferentes momentos, como alternar 4 compassos em 4/4 e compassos no 6 ou 5 e assim vai. As possibilidades são inúmeras e as combinações ficam com vocês. Vocês terão a base e em cima dela podem variar e brincar muito com as modulações, sempre se imaginando num contexto musical!

Outra opção, ainda com o mesmo sistema, seria tentar imitar a ideia que o Jeff 'Tain' Watts usa no tema Autumn Leaves (Standard Times Vol. 1 do Wynton Marsalis). Trata-se de uma sequência de modulações, uma atrás da outra. Ele faz literalmente isso sequenciando modulações no A to tema (veja no vídeo!).

Se você não quiser usar o iReal Pro por ele ser pago, você pode usar o spotify, o youtube ou qualquer outro artifício que proporcione basicamente play along de jazz sem bateria.




Segunda prática
 
Aqui vamos exercitar um pouco mais do que técnica de bateria. 

Ao tocar jazz numa canja ou numa gig, nós, bateristas, também temos que ter domínio dos temas de jazz. Precisamos saber a forma, a melodia e de preferência os movimentos harmônicos, pois é com isso que vamos trabalhar junto das habilidades baterísticas pra poder tocar, improvisar e conversas com os outros músicos, certo? Se estamos falando de modulação métrica, é mais um motivo pra nos preocuparmos com essas questões!
 
Tendo isso em mente, vamos exercitar nosso lado pensante-cantor-baterista! Vamos escolher temas fáceis, standard de blues, pois a forma é mais simples. Vou escolher um tema forma blues 12 compassos de melodia simples: Nostalgia in Times Square (Charles Mingus).

O que faremos é cantar o tema enquanto tocamos e modulamos com o 3. Cantar mesmo, em voz alta. 

O lance será cantar e tocar uma vez inteira em 4/4, a segunda vez com compassos em 4/4 e compassos modulando com o 3, e a terceira vez é cantar o tema todo tocando na modulação 3. O exercício trabalha muito a coordenação entre mente e corpo e é muito enriquecedor! Veja no vídeo como fazer!

Ouçam bastante os temas que vocês escolherem e realmente se familiarizem com eles. Sintam-se confortáveis para canta-los antes de partir para o exercício.

Se você quiser aprofundar mais um pouco e ter ainda mais controle da situação, você pode cantar o tema, marcar com o aro da caixa o 1 de cada compasso (do tema cantado em 4) enquanto toca na pontuada. Entenderam? Vejam no vídeo também pra tirar dúvidas.




* Gostaria de lembrar que gravo meus vídeos em plano sequência sem cortes ou edições, o que dá margem pra erros! Peço desculpas pelos 2 errinhos de falta de atenção nos vídeos daqui.

Estas foram as duas dicas de exercícios pra vocês começarem a por a mão na massa com essas modulações!

Agora, vamos aos bateras!

Primeiro gostaria de ressaltar 4 baterias de 4 estilos diferentes dos quais sou fã. São eles: Edu Ribeiro, Elvin Jones, Horacio 'El Negro' Hernandez e Jojo Mayer. Os três primeiros são as 3 maiores influências na minha vida de batera! Jojo Mayer é o preferido de um amigo meu, que me fez apreciá-lo mais também.

Destaco muito os trabalhos do Edu com o Trio Corrente - mais na pegada brasileira - onde eles chegam a fazer partes inteiras de algumas músicas modulando (todos juntos). Prestem atenção em como o Edu trabalha com as modulações de maneira sutil enquanto toca! Genial. O mesmo acontece com o El Negro no trabalho com Michel Camilo Trio. Na pegada Afro-cubana, ele usa das modulações muitas vezes e de maneira genial também. Vejam os vídeos de Jojo Mayer tocando solo ou com baixista. Outra visão, mais moderna groovada e funkeda, mas ele também tem total precisão e controle de tudo que faz, inclusive das modulações e de uso de quiálteras.

Mais alguns nomes pra vocês procurarem e ouvirem: Tyshawn Sorey, Dan Weiss, Ari Hoenig, Virgil Donati. 

Quem despertou o meu interesse por modulações e odd times foram meus professores e grandes bateras Edu Ribeiro e Tony Moreno (procurem este também).

Finalizo aqui a primeira sessão de modulação métrica. Na próxima sessão vamos modular no contexto de funk e rock! Mas antes, vou variar um pouco o assunto dos artigos e ir pra outras áreas.

Espero que tenham gostado e que façam proveito disso tudo. Que possa ajudá-los muito na hora de tocar!

Sucesso,
Yara Oliveira


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