Nascido em São Paulo, é baterista profissional desde 1989. Estudou na ULM, no Conservatório Dramático e Musical de Tatuí "Dr. Carlos de Campos" e com Douglas Las Casas. Tocou com artistas de vários estilos musicais no Brasil e em Londres. Trabalhou como transcripter para a revista Modern Drummer Brasil. Licenciado em Música pela Universidade de Sorocaba. Desenvolve o site Batera.com.br desde 2000.

Ouça seu corpo

13 de outubro de 2015, por Adalberto Brajatschek (Magoo)
Neste artigo, eu gostaria de fazer um breve comentário sobre três aspectos que se fazem presentes na prática da bateria, principalmente quando estamos com a atenção voltada para o estudo em si.

São meios de perceber como o corpo e a mente podem ser usados para obtermos uma prática mais efetiva e proveitosa.

Vou chamá-los de “canais” somente para facilitar a compreensão do que quero apresentar aqui.

Quando praticamos, temos (a meu ver) 3 principais canais de percepção: 

Motor – Movimentos Corporais

Se fosse resumir esta parte em uma frase, eu diria: “Sentir a bateria no seu corpo”.

Deixe-me explicar... Tudo o que você consegue fazer já é parte da sua memória e seu corpo reage a isso. Primeiro vem a ideia, depois a ação. Como teste, imagine-se andando de bicicleta. Você está sem ela aí, mas já sabe “o que fazer”.  Agora imagine você tocando uma levada de bateria. Novamente, seu corpo já te indica os movimentos, mesmo sem estar no instrumento. É o que fazemos quando estamos em uma fila de banco ou esperando o ônibus: o famoso “air drumming”.

Quando for praticar, você pode mergulhar ainda mais nesta relação entre “corpo e mente”. Feche os olhos e concentre-se nos seus membros. Desta maneira você pode focar em cada um deles separadamente. Por exemplo, toque uma levada e ponha a sua atenção somente nos movimentos do chimbal. Como está o andamento? Você está fazendo muito esforço? Algum movimento desnecessário? Qual o resultado sonoro? O que precisa ser melhorado?

Fazendo isso, você cria um link entre os sentidos e a sonoridade!

Auditivo – Resultado Sonoro

Da mesma maneira que conhece os movimentos necessários para criar uma levada ou frase, você também tem “o som pronto na sua mente”. Se ocorrer qualquer mudança, por mais sutil que seja, você percebe.

O som que você está tirando do instrumento é o maior indicativo da qualidade da sua prática. Muita gente coloca um play along altíssimo em um fone de ouvido e “manda ver” no pad, sem verificar que tipo de resultado está tendo.

Eu acredito que o movimento leva ao som. Ou seja, para cada resultado sonoro desejado, deve ser aplicado determinado movimento (técnica). Assim, mais uma vez criamos a ligação entre os sentidos e sonoridade. Na verdade, em *termos de estudo, cria-se uma via de mão dupla, onde os movimentos propõem o som e este serve como “confirmação” de que o movimento está sendo eficaz.

*Eu disse ‘em termos de estudo’, porque na situação de palco (hora do play) tudo deve fluir naturalmente e prestamos atenção somente na música!

Visual – Sinais Gráficos

O terceiro elemento que compõe a nossa percepção são os sinais gráficos que representam os sons, ou seja, a partitura.

Um dos principais benefícios que a leitura rítmica nos traz é um tipo de “mapeamento” ou organização mental, em relação à posição das notas. Desta maneira, ao olhar para uma sequência de figuras musicais, já “ouvimos” o som na nossa mente. Isso forma um padrão que será comparado com o som que produziremos no instrumento.

Muito bem, isso é o mesmo que imaginar uma levada e depois tocá-la. A diferença aqui é que a levada foi proposta por uma “sequência de sinais gráficos”.

Conclusão

Agora temos três pontos de referência para a nossa levada ou frase: os movimentos, os sons e a escrita. Como experiência, pegue uma levada de um livro qualquer e foque em cada um dos pontos, separadamente, percebendo como você retém a “informação gráfica” e a transporta para o instrumento.

Agora faça a si mesmo a seguinte pergunta: O som produzido está de acordo com aquele que eu “ouvi mentalmente” no momento da leitura? Se precisar fazer alguns “ajustes”, experimente outros movimentos do corpo.

Perceba como estes três elementos estão conectados e oferecem a você um suporte sensorial para guiar a maneira como se expressa musicalmente.

Não deixe de comentar este texto e enviar suas sugestões e experiências.

Um abraço!

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