Aquiles Priester

26 de abril de 2009, por Fórum Batera.com.br

Site Batera: Aquiles, sabemos que você viaja o Brasil inteiro fazendo shows e workshops, e com isso também acaba conhecendo muitos novos bateristas. Quais são os bateristas que você acha que estarão despontando nos próximos anos?

Aquiles Priester: Essa pergunta é bem difícil, mas vou tentar ser sincero. Recentemente vi um aluno da Vera Figueiredo chamado Fernando Amaro tocando no Batuka! 2010 e fiquei muito impressionado. Geralmente garotos novos se interessam mais por rock, logo, não é tão difícil aparecer garotos bons como foi o caso do Elóy Casagrande, que hoje não pode ser mais citado como promessa, pois já faz parte do cenário musical brasileiro. E tenho muito orgulho de ter feito parte da formação desse garoto, que é de caráter e personalidade inquestionável. Mas voltando ao Fernando, ele tem uma abordagem jazzística e apesar da pouca idade, toca como gente grande e tem muito bom gosto.

Site Batera: Qual foi a 1ª marca que te patrocinou? Como aconteceu?

Aquiles Priester: A primeira marca que me apoiou foi a C.Ibañez quando eu ainda morava em Porto Alegre. Foi um apoio muito importante na época, pois eu ainda não tinha a menor exposição como artista regional. O trabalho da época em que rolou esse apoio foi com o primeiro disco do Hangar, o Last Time e depois rolou o trabalho com o Tritone e com o Paul Di’Anno.

Site Batera: Muita gente acha que em tours fora do Brasil, existe todo conforto de um artista de grande porte, o que nem sempre é verdade. Conte-nos alguma situação inusitada que tenha ocorrido durante uma turnê fora do Brasil (hotel ruim, problemas com transporte, com alimentação, etc...)

Aquiles Priester: Em fevereiro desse ano, tive a honra de fazer uma turnê pela Europa com o guitarrista Vinnie Moore e nós fizemos ao todo 19 shows, sendo que os últimos 11 foram em 11 dias... Para realizar esses shows, nós pegamos mais de 25 voos e mal tínhamos tempo de dormir. Fizemos 4 shows sem ter tempo de dormir em hotel... Tínhamos que descansar na van e nos aeroportos. No geral nos divertimos muito e criamos um laço muito forte entre os membros da banda. Sempre que toco fora do Brasil as condições são muito piores do que quando estou tocando por aqui...

Site Batera: Você tem alguma superstição? Por exemplo, repete a mesma camiseta do show anterior se o show foi bom demais?

Aquiles Priester: Tem uma bermuda da Adidas que tenho desde os primeiros shows que fiz usando esse tipo de roupa. O primeiro e o segundo show do Hangar eu fiz de calça jeans preta e naturalmente eu senti a necessidade de tocar como eu ensaiava. Durante muitos anos essa foi a minha bermuda da sorte e até hoje ela serve de amuleto para mim. Ela tem quase 14 anos e ela sempre está comigo na mala. Quando estou bem cansado que acho que nem vou dar conta do nosso repertório, eu uso essa bermuda e minhas pernas voam... Outra mania é sempre amarrar o cadarço do meu pé esquerdo primeiro quando estou me vestindo para o show.

Site Batera: Qual a grande diferença entre as tours nacionais e internacionais?

Aquiles Priester: Por incrível que pareça, é o conforto. No Brasil sempre tem mais conforto e a comida é melhor e ainda temos a opção de comer sempre em restaurantes. Em turnês internacionais, a comida é geralmente servida na casa de shows e você acaba passando boa parte do dia no local do show, ou seja, você ouve toda a barulheira da montagem e da passagem de som e isso já consome muito a energia do show... Mas depois, se acostuma.

Site Batera: Dentre todos os grandes nomes da bateria mundial, qual o baterista que você conheceu e que mais te surpreendeu positivamente, como pessoa?

Aquiles Priester: Já conheci muitos bateristas que admiro e acho que sempre tive muita sorte quando conheci bateristas que eu admirava... Na verdade sempre fui muito cauteloso para não invadir a privacidades dos caras... Sempre esperei a hora certa para me aproximar... Posso citar que tive boas experiências com o Mike Portnoy, Nicko McBrain, Thomas Lang, Mikkey Dee, Akira Jimbo e etc.
 
Site Batera: Como você vê o mercado atual, em termos de estrutura e público nos shows pelo Brasil?

Aquiles Priester: Ainda é precário... Estamos indo contra a maré... Num momento em que todas as bandas estão optando por backline local, estamos viajando com uma estrutura magnífica que inclui até o sistema de P.A. No nosso mercado não existe a profissão reconhecida. Ainda é meio marginalizado e completamente amador. Não temos lugares para se fazer uma turnê de verdade, não existe uma rota que as bandas seguem fazendo shows nos mesmos lugares como em outros países.

Site Batera: Você trabalhou na área de marketing de uma multinacional, o quanto isso influenciou na administração da sua carreira como músico?

Aquiles Priester: Me ajuda a ter noção do que uma empresa espera de um artista. Hoje sei o impacto que uma boa apresentação tem na hora de mostrar um novo projeto. Costumo manter todos os patrocinadores informados de tudo que estou fazendo de faço reports mensais de todos os eventos que tenho. A primeira coisa que percebi naturalmente assim que comecei a trabalhar com empresas nacionais e estrangeiras, era que antes de receber eu precisava oferecer algo, e que esse retorno poderia ser lento. Mas se eu quisesse fazer algo real e duradouro, teria que ser dessa forma.

Site Batera: Como você vê a relação de empresas com endorsees no mercado brasileiro, que parece estar cada vez mais sucateada, com empresas "vendendo" equipamentos para bateristas poderem se intitular como "endorsees"?

Aquiles Priester: Isso só acontece por que muitos músicos querem falar que são patrocinados e isso faz com que eles aceitem os produtos das empresas sem saber o que estão usando.
Muitas pessoas me perguntam o que devem fazer para ter um patrocínio de verdade... E eu sempre falo uma frase que nem todo mundo gostaria de ouvir: Para um patrocínio acontecer de verdade, esse contrato precisa ser mais vantajoso para a empresa do que para o músico. No momento que isso acontece ao contrário, é quando o contrato se perde e vira compra por preço de custo.
 
Site Batera: Você tem um irmão baterista (Hércules Priester) que mora no RS. O quanto ter um irmão baterista ajuda nos momentos de estudos, ensaios, shows, etc?

Aquiles Priester: O Hércules sempre me deu grande apoio e já falei em outras ocasiões que foi ele que me motivou a fazer o teste no Angra. Quando vi o anúncio dos caras procurando baterista, nem me dei conta que eu poderia tentar fazer o teste. Foi o Hércules que me colocou “uma pilha” para procurar os caras...

Em todos os shows do começo da minha carreira em Porto Alegre ele estava lá me ajudando. Tem vários vídeos do DVD bônus que está no relançamento do disco Last Time que o Hércules aparece como meu roadie. Tenho uma imensa gratidão por tudo que ele fez por mim, posso garantir que se não fosse por ele, eu não seria o Aquiles de hoje.

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