Baterista universitária conquista bolsa de estudos para os EUA

08 de novembro de 2013, por Editorial
Nascida no interior de São Paulo, a jovem baterista Yara Oliveira foi selecionada para participar do programa “Conexões Culturais através do jazz e da música popular", da Universidade de Cincinnati, em Ohio (EUA). No 8º semestre de Música Popular com especialização em bateria na Unicamp, Yara fala em entrevista ao Batera sobre a importância de estudar música, as portas que uma universidade pode abrir, e um pouco sobre sua recém iniciada carreira.

Yara começou na música com 8 anos, tentou o violão mas logo viu que seu negócio era batucar. "Pulei direto pra bateria e percussão!", comenta. Começou estudar bateria com 10 anos e desde então não largou mais as baquetas. Em 2005 estudou percussão no conservatório de Tatuí (SP), mas precisou interromper o curso e não se formou. Tocou na orquestra filarmônica de Itu (SP) e deu aulas para crianças por um tempo. 

Subiu em um palco pela primeira vez aos 14 anos com a banda Os Inacreditáveis. “Minha primeira escola de música de verdade”, destaca. “Entre festivais, workshops e diferentes trabalhos conheci uns bons percussionistas que ajudaram na minha formação, e tive contato com muita gente legal”, completa Yara, que já estudou em Nova York com o batera Tony Moreno, músico que foi aluno do mestre jazzista Elvin Jones.

Hoje, com diversos trabalhos e projetos musicais, Yara é baterista em grupos de música  instrumental e de jazz, de canções autorais e fez parte do projeto cover dos Beatles – a banda Bgirls. "Além de tocar me aventuro no canto também, faço direção musical da peça 'No Ar', aqui em Campinas (SP), faço outros trabalhos diferentes com coro, regência, percussão e várias outras coisas", revela a promissora e jovem baterista que nasceu no interior de São Paulo, em 1991.


Como e por que você decidiu cursar uma faculdade de música?
Na batera, o estudo ficou sério quando conheci o grande baterista e músico Edu Ribeiro. Comecei a fazer aulas com ele em 2009 e continuo tendo encontros com este grande mentor até hoje, para renovar e absorver cada vez mais. Conhecê-lo mudou toda a minha relação com a bateria e com a música, me fez crescer e amadurecer bastante. Foi um ponto decisivo em minha vida e venho buscando aproveitar isso todos os dias. Entre idas e vindas tenho conhecido bastante gente legal e trabalhado com coisas de que gosto muito.

Para você, qual é a real importância de estar em uma universidade de música?
Estar na universidade de música, especialmente na universidade estadual, é uma coisa que, na minha opinião, não tem preço. Há quem diga (ouço bastante isso) que os músicos realmente bons, os instrumentistas virtuosos, não precisam de universidade, ou não vem de universidades para serem bons no que fazem. Ok, posso até concordar que não é pré-requisito passar pela universidade, mas afirmo que o que se vê e se vive nela não se encontra em nenhum outro lugar. A coisa vai muito além do seu instrumento, sua técnica, o lado prático em si.
Na universidade você tem contato com o lado acadêmico - não que eu esteja seguindo esse lado na carreira, mas o contato é enriquecedor demais – e conhece pessoas. Muitas pessoas. Vários tipos de pessoas. Além de matérias novas, assuntos diferentes e diversas coisas abordadas no curso, a vida no campus te faz amadurecer e ver tudo de outro jeito, um ponto de vista a mais, além daquele prático das horas de estudo, horas de estúdio e horas de estádio – mão na massa. 
Ter oportunidade de conhecer professores ótimos, de fazer cursos ótimos, ter bolsas de estudo e poder ir pra lugares diferentes é muito legal. E também, você sai com um diploma universitário, possibilidade de seguir carreira acadêmica (pós, mestrado, doutorado, ser professor de música formado) e tudo mais. Apesar das muitas dificuldades que enfrentamos por estar numa universidade pública, onde a burocracia e os problemas estão sempre presentes, o saldo ainda é muito positivo.

Além da graduação universitária, você pretende seguir estudando? Por quê?
Em janeiro deste ano, participei de uma audição importante que me abriu diversas portas. Nela tive a oportunidade de conhecer um grande cara, grande percussionista, Marivaldo dos Santos. Marivaldo faz parte do grupo musical “Stomp”, de Nova York e mantém um projeto social fantástico aqui no Brasil, no nordeste de Amaralina em Salvador (BA), chamado Quabales. Tive o grande prazer de conhecer o trabalho de perto participando da gravação do clipe “Estilo Quabales” ; ver os meninos tocando e tudo o que pode ser feito por meio da percussão fortalece a vontade de continuar a seguir no caminho.

Explique mais sobre esse curso que você fez. Como foi a experiência?
Dentre meus estilos preferidos de tocar e estudar está o Jazz. Acredito que, com quanto mais pessoas você puder estudar e tocar, melhor pra você! E poder estudar um estilo em seu país de origem e principalmente no local onde tudo acontece, onde estão os grandes e onde a coisa é realmente quente, é maravilhoso! Por isso fui atrás de um curso de Jazz em Nova York. Com ajuda do Instituto de Artes fui pra Nova York (New York Jazz Workshop) em julho, estudar com Tony Moreno, Tim Horner (bateristas) e Marc Mommaas (saxofonista). Foi um curso intensivo de improvisação, onde toquei e aprendi muito e voltei com muita sede de estudar e evoluir cada vez mais! Sensacional.

Quanto à bolsa que você conquistou para estudar nos EUA, como será o intercâmbio? E depois, pretende encerrar a faculdade ou tem outros planos para o futuro?
Para fechar a minha graduação com chave de ouro, fui selecionada com mais dois amigos para o programa “Conexões Culturais através do jazz e da música popular” da Unicamp, em parceria com Universidades dos Estados Unidos. Houve uma seleção e nós três fomos escolhidos para ganhar bolsas para estudar na Universidade de Cincinnati, em Ohio (EUA). Embarcaremos já no final de dezembro e ficaremos lá durante o primeiro semestre de 2014. Lá, estudarei com Art Gore.
Tenho muitos planos para o futuro e espero que a partir do ano que vem eu continue a, cada vez mais, colher os frutos que tenho plantado aos poucos.

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