Bruno Valverde: do gospel ao heavy metal

09 de setembro de 2013, por Editorial
Na crescente onda de música gospel há bateristas que só tocam músicas religiosas e outros que transitam em outros "estilos", como é o caso de Bruno Valverde. O músico foi destacado em um vídeo do canal drumchannel.com, uma prestigiada revista especializada, onde o famoso batera Gregg Bissonette comenta seu trabalho. Versátil, estuda música desde os 10 anos e aprendeu com grandes bateristas brasileiros como Lenilsom Silva, Pipe Joares e Douglas Las Casas. Bruno nasceu no ano de 1990, em São Bernardo do Campo (SP).
 
No circuito gospel o paulistano tocou na banda de power metal católica "União" e gravou com o grupo de rock gospel "Soul Free". Depois ganhou a etapa São Paulo como único representante do estado na final do festival Odery & Modern Drummer, já esteve na linha de frente do Bateras 100% Brasil, se apresenta em workshops e é professor de bateria. Gravou o novo álbum do guitarrista Italiano Fabrizio Léo (Laura Pausini), ao lado do tecladista e produtor Alex Argento (Virgil Donati, entre outros).
 
Além de free-lancer em turnês de Germán Pascual (Narnia, Suécia) e do grupo Suprema, integrou a Cover Band Cactus Jack por anos. Hoje é baterista do Kiko Loureiro Trio e também da banda Iahweh, onde reveza com Eloy Casagrande - novo integrante do Sepultura. 
 
Em entrevista para o Batera, o Músico fala de questões como tocar na igreja, com astros internacionais, em workshops, e o sobre "desafio" proposto por Gregg no vídeo. 

Assista o vídeo "Feedback for Bruno Valverde by Gregg Bissonette" no link do YouTube:
 

Você não é um baterista gospel que só toca em banda religiosa. Essa versatilidade (tocar outros gêneros) influencia seu estilo hoje? Como?

Sim, influencia. As experiências musicais que se passam vão moldando/lapidando a experiência musical e contribuem diretamente com a linguagem, o que pra mim é importante, saudável e preciso. 
Por outro lado, escolher apenas o nicho religioso (o chamado meio gospel), não te limita como músico, conheço ótimos músicos que optaram apenas por esse caminho.
Realmente é uma questão de opção, que não te faz nem melhor nem pior que  alguém. Por acreditar que a arte é de esfera universal, decidi não me restringir apenas ao caminho musical religioso.
 
Qual a diferença entre tocar em igreja e tocar em shows de heavy metal?

Em termos de consideração à arte, nenhuma. Porque nas "duas ocasiões" eu me proponho a fazer o meu melhor. Quando você faz o seu melhor, independente do seu nível, aquilo agrada direta ou indiretamente o ser que criou a música. Portanto a diferença é que na igreja tenho um lado espiritual a quem eu dedico minha música.
 
Fale sobre a experiência de ser elogiado por Gregg.

Foi uma experiência fantástica, pois Gregg inspirou e influenciou não só a mim, mas toda uma geração. Lembro-me do tanto que assistia e admirava sua apresentação no memorial do Buddy Rich e também em especial um de seus discos, o 'Submarine'. De repente, depois de um bom tempo, você ouve o cara te dando um grande feedback em vídeo, motivo de grande alegria.
 
No final do vídeo ele diz que gostaria de ver você tocando algum som com suingue, brasileiro ou africano, o como você encara esse desafio?

Um desafio saudável e bem sacado da parte dele, pois Gregg tem como destaque principal sua versatilidade. O vídeo em que foi dado o feedback falou de um tema "fusion progressivo", que é o meu estilo expoente. Tenho também minha grande influência de música brasileira em termos de linguagem, em um drum solo, por exemplo. Em breve farei algo que explora essa vertente também em algum tema instrumental.
 
Quais técnicas e pegadas você costuma tocar nos workshops que faz pelo Brasil?

Meu workshop marca muito da minha influência fusion e progressiva nas músicas. Geralmente com um solo comprido, exploro ritmos brasileiros, independência, assuntos de polirritmia, endurance e Double Stroke Roll nos pés.
 
Com tanto trabalho, como encontra tempo para tocar nas noites de São Paulo com sua Banda Flashmob?

Gosto muito da condição dessa minha Banda, pois trabalho ao lado de pessoas que considero muito e também respeito musicalmente. Às vezes as datas se cruzam com meu trabalho solo, aí precisamos solucionar o problema. Na banda Flashmob tocamos clássicos do Rock and Roll que são ou foram influência para quase todos os músicos no mundo. Talvez um comentário que defina como resposta seja: Ou você escolhe ser músico ou opta por ter noites "normais" de sono. As duas coisas não andam juntas (risos).
 
Como é o set de bateria que você usa?

Considero meu setup 'médio-grande', gosto dos pratos, uso 3 hihat, por exemplo. Uso meus tons principais, invertidos (10" no lugar do 12" e vice-versa), pois gosto do desafio de ter que inverter as 'manulações', o que também é uma escolha por causa do Traditional Grip.

E quanto aos que músicos que te influenciam?

Músicos que me influenciam, são muitos, vou citar alguns. Dave Weckl, Virgil Donati, Gary Novak, Tony Williams, Jeff Tain Watts, Peter Eskine, Simon Phillips, Gregg Bissonette, Bill Bruford, Allan Holdsworth, Chick Corea, Brett Garsed, Frank Gambale.


Informações oficiais do batera Bruno Valverde no Site e FanPage:

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