Cesinha: ele é o cara nas bateras

28 de fevereiro de 2013, por Editorial
Cesinha: ele é o cara nas bateras
 
Ele já tocou bateria em cima do trio elétrico, com feras incontestáveis da música brasileira, e hoje é parceiro da Maria Gadú. Confira nosso papo com esse fera e os segredos dele
 
Com um sorriso no rosto, o soteropolitano Nilton César Lacerda dos Santos, mais conhecido como Cesinha, coloca toda sua energia na hora de colocar os pratos para tilintar e fazer acontecer no show da cantora Maria Gadú. Ele estará com ela em Maceió no dia 9 de Março, em Porto Alegre, no dia 24, e em São Paulo, no Credicard Hall, dia 20 de Abril. “Parece que a Gadú não tem a mínima intenção de parar tão cedo, nem eu tenho a mínima intenção de deixar de tocar com ela”, afirma o baterista, que tem uma extensa carreira de parcerias com diversos cantores como Caetano Veloso, Marina Lima, Kid Abelha, Cassia Eller e Ana Carolina.
 
Confira a entrevista exclusiva que Cesinha concedeu ao site Batera.

 
1-Sua grande oportunidade na carreira foi com o Caetano Veloso? Como surgiu essa oportunidade?
Na verdade, o Caetano foi quem me trouxe pro Rio. Antes, em Salvador, já tinha acontecido muita coisa. Em 1984 eu comecei a tocar com o Luís Caldas, e entre 85 e 86 ele estourou e vendeu muitos discos. Com isso eu comecei a ver mais o Caetano nos shows do Luís, pois ele já tinha me conhecido no trio elétrico aos 16 anos. Em 88, o Marcelo Costa, que era o baterista do Caetano, saiu para tocar com o Lulu Santos e me indicou pra ele!
 
 
2-Como acontecem as transições de um projeto para outro?
Cada situação de mudança foi diferente. Quando comecei a tocar com o Caetano, no disco e show “Estrangeiro”, já sabia que a turnê duraria dois anos e meio e depois pararia. Seis meses antes de acabar, eu comecei a ver as possibilidades. Quando cheguei do último show do Caetano, na Itália, já morava no Rio e tinha feito amizade com o Bruno Fortunato, do Kid Abelha. Duas semanas depois já estava tocando com eles! Quando terminei a turnê do Kid, em 92, fui convidado pelo tecladista Márcio Lomiranda para tocar com a Marina Lima! Para a Marisa Monte, em 94, quem me indicou foi o Dadi, que é baixista dela até hoje! Quando toquei com a Cássia Eller, já tinha gravado com ela e o baixista Fernando Nunes me levou até a casa dela pra nos aproximar. Então cada mudança é um caso particular, não existe uma fórmula que funciona para conseguir projetos.
 
3-Como você entra na “pegada” de um projeto e ao mesmo tempo coloca a sua própria marca? E quais as suas maiores influências?
Essa pergunta é interessante, porque eu penso muito nesses pontos. Pessoalmente, eu vejo que tem uma linha mestra nas minhas influências. Dois bateristas que me influenciaram bastante foram o Jorginho Gomes (Novos Baianos) e o Serginho do Roupa Nova, que me influencia muito nas baladas. E sempre tem alguma balada nos álbuns dos artistas! Um dos bateristas mais importantes para minha formação foi o Serginho Della Mônica, que tocou com a Rita Lee no Tutti-Frutti, e quando eu ouço a música dele percebo como ele está no meu DNA musical! 
 
Outros que estão muito presentes no meu estilo são o Dave Weckl [famoso pelo trabalho no Chick Corea’s Elektric Band] e o Billy Cobham [lendário baterista de jazz] e, mais recentemente, o baterista do Motörhead, Mikkey Dee! Quando o escutei na TV, no Rock'n Rio, fiquei chapado, e isso mudou minha maneira de tocar mais uma vez! 
 
Portanto, as influências não acabam nunca e estão sempre se renovando. Mas eu tenho um fundamento que trago comigo desde que eu comecei: tocar pra as pessoas dançarem, já que isso era muito forte quando eu comecei, na Bahia, aos 14 anos, e tocava em trios elétricos e bailes à noite. Por isso meu estilo tem muito pouco de virada e é muito centrado no groove. Eu não gosto de interromper o groove, assim qualquer detalhe que for acrescentado chama a atenção.
 
4-Que tipo de música você ouvia quando começou a carreira e que tipo de música você ouve hoje? Existe alguma mudança?
Hoje em dia é muito mais fácil eu curtir o que eu ouvia quando era mais jovem. Ouço muito Novos Baianos, o trabalho do Jorginho Gomes, Moraes Moreira e Gil, de quem sou fã de carteirinha! Tenho ouvido muito Billy Cobham quando vou estudar. Mas muita coisa nova vai sendo acrescentada, já que a minha esposa [a cantora carioca Lia Sabugosa] me apresentou a uma grande turma de músicos, compositores e cantores 10 anos mais novos que eu, e a Gadú é de uma geração 20 anos mais nova.
 
Não existe nada que eu não possa tocar ou curtir. Recentemente, por exemplo, toquei com a Gaby Amarantos no Prêmio Multishow e me amarrei no som que eles fazem. O Negrão [Marcelo Negrão], tecladista dela, é excelente! Mesmo assim, são as coisas mais antigas que me tocam mais!
 
5-Você tem algum projeto pra o futuro, para depois da Maria Gadú?
Parece que a Gadú não tem a mínima intenção de parar tão cedo, nem eu tenho a mínima intenção de deixar de tocar com ela. Além disso, eu continuo todos os meus outros projetos paralelos à Gadú: Moraes Moreira; Davi Moraes; meu trio instrumental Flenks, com Fernando Nunes no baixo e Fernando Caneca na guitarra; gravações; e as aulas que já dou há mais de 10 anos na Maracatu Brasil, em Laranjeiras, no Rio: é pertinho de casa, vou a pé!
 
Confira o set de bateria que Cesinha utiliza nos shows da Maria Gadú:
Tama Hyper Drive
cor: Walnut Sparkle (champagne)
Bb: 22"x18"
Cx: 14"x5" madeira
Cx2: 10"x3 1/2" metal
Tons: 10" e 12"
Surdos: 14" e 16"
Pratos: Sabian
Dry Ride 20"
Xplosion Crash 14"
Studio Crash 16"
Evolution 16"
Splash 10"
Mini-hats 12"

Set de pratos mais pesados, para os shows de Moraes Moreira:
Zildjian:
Ping Ride 20"
A Medium Crash 18"
Sabian:
Power Crash 16"
China 18"
Fast Hi-hat 14"

Outras bateras do Cesinha:
Roland TD-20*
Tama Starclassic (2001)**
 Pearl Maple (1985) **
*A TD-20 fica na casa de Cesinha
**Ambas estão em estúdios de amigos e da mesma cor: Wine Red 

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