Entrevista com Gabriel Guilherme

13 de fevereiro de 2012, por Adriana Pivatti

É sempre bom postar coisas sobre os músicos e a música brasileira.  E uma honra ver que um batera do Brasil tenha alcançado a posição como a de Gabriel Guilherme. Você conhece esse rapaz?

Com apenas 22 anos e um excelente currículo musical, Gabriel ficou em primeiro lugar no concurso V-Drums World Championship - Brasil, promovido pela Roland. Foi para Los Angeles disputar com os melhores do mundo e conquistou em 4º lugar.

Assim como grande parte dos músicos, Gabriel tem uma família musical, começou cedo, aos nove anos. É formado em bateria pela Universidade Livre de Música (ULM) e já estudou com grandes representantes da bateria, como Lilian Carmona, Paulo Lion e Edu Ribeiro. Seu pai, Zé Guilherme, já tocou com Elis Regina, Rita Lee, Ronnie Von, entre outros.

Nos critérios do concurso ele pode até ter ficado em 4º lugar, mas com certeza, é um excelente batera e representou muito bem o Brasil, com a beleza de sua musicalidade e seu jeito simples.

Gabriel contou um pouco dessa experiência ao site Batera.

Site Batera: Você pode contar como foi sua experiência em Los Angeles?

Gabriel: A viagem foi a melhor possivel... Fui com dois gerentes da Roland: Gino Seriacopi e Jath Azevedo. Fiquei em Anaheim, condado de Los Angeles. É lá que acontece a famosa NAMM Show, uma das maiores feiras de instrumentos musicais do mundo. Tive um tempinho pra visitá-la, e no caminho encontrar com o Carmine Appice, Aaron Spears, Dennis Chambers, Chad Smith, e várias lendas da música.

A maioria do tempo, eu estava em compromissos do V-Drums World Championship, portanto não tive tanto tempo assim pra ficar comprando montes e montes de coisas, a única coisa que eu trouxe de lá foi um K Contantinople Medium Ride de 22 polegadas. Demais!

Curiosidades a parte, o Festival em si foi maravilhoso. Uma excelente oportunidade pra mostrar um pouco do meu som. O Evento foi na lendária casa de shows "House of Blues" (muita gente já tocou lá). Foi um super show. A estrutura era impecável.

Dentre os jurados estavam Thommas Lang, Johnny Rabb, Michael Shack... Conversei com Johhny Rabb e Michael Shack, eles disseram que minha musicalidade e minha performance artística foram excepcionais, e disse que, nesses quesitos fui um dos mais bem pontuados! Isso me deixa muito feliz, pois ao meu ver, a característica mais importante de um músico é sua musicalidade e bom gosto!

Site Batera: Desde sua saída aqui do Brasil, ficou muito ansioso? Como foi o tratamento?

Gabriel: Confesso que fiquei mais nervoso na etapa no Brasil. Estava é muito feliz e ansioso pra chegar logo a hora, pois estava bem confiante. O Gino Seriacopi veio aqui em casa, viu meu solo e me deu confiança. Ele me ajudou muito na criação desse solo. Meu pai, Zé Guilherme, também foi fundamental para que eu conseguisse chegar nesse resultado final.

Site Batera: Como eram os participantes?

Gabriel: Todos eram ótimos! Afinal, era uma etapa internacional, então tínhamos os melhores do mundo ali. Cada um com influências e características típicas de suas nações, uma junção de culturas. Muito Legal mesmo ver essa diversidade cara a cara.

Site Batera: Você achou justo o resultado ou acredita que poderia conquistar uma posição ainda melhor?

Gabriel: Os jurados são mais que capacitados para tomar suas decisões. São caras que manjam muito! O Baard Kolstad  é um monstro na bateria. Sua técnica visceral me impressionou muito. Agora, em minha opinião pessoalíssima, (quem sou eu para julgar, mas enfim...), o JP Bouvet (EUA), usou com muito mais primor os recursos da bateria eletrônica, com muita criatividade e coesão. Dou muito valor a isso, e acho que ele preencheu melhor os critérios de julgamento que foram passados, que eram: 1. Musicalidade, 2. Utilização dos recursos da bateria eletrônica e 3. Performance visual. Estou muito feliz com minha colocação. 

Site Batera: Os três meses para treino na nova bateria foram o suficiente?

Gabriel: Hahaha... O tempo nunca é o suficiente, acho que se fosse um ano de prazo, eu estaria nos últimos dias fazendo ajustes, pequenas mudanças, pois a gente vai amadurecendo a ideia e melhorando sempre. Mesmo assim, consegui fazer um solo muito satisfatório!  Trabalhar com os recursos eletrônicos é o que demora mais, pois precisamos aprender a fazer, pra depois fazer o que temos em mente, mas não tive dificuldade em aprender a lidar com  aquela tecnologia!

Site Batera: O que mudou no seu dia a dia ter participado desse concurso?

Gabriel: Bom, faz apenas duas semanas que voltei de lá, mas já tenho perspectivas novas na minha carreira. Participar desse concurso, com essa repercussão, traz muitas oportunidades pra um músico. Tenho sido procurado por algumas mídias como mais recentemente a Folha de São Paulo, algumas mídias especializadas em música como revistas e sites e estou com a perspectiva de participar de alguns programas de televisão.

Estou em processo de negociação de uma parceria com a Roland do Brasil. A bateria TD-20 KX, o OCTAPAD SPD-30 e o SPD-SX ainda estão aqui em casa e, se tudo der certo, permanecerão aqui para que eu possa desenvolver mais conteúdos musicais utilizando esse equipamento.

Tenho recebido também algumas propostas musicais pelo Facebook, que são bem bacanas! Tudo isso nesse pouco tempo!

Acredito que isso ainda vá dar muitos frutos! Tomara!

 

Estamos torcendo por você, Gabriel. 

 

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