Especial Batera: Dia do Folclore com Caio Ignácio

22 de agosto de 2014, por Rafael Ferraz
Percussionista, baterista, cantor e compositor nascido no dia 27 de novembro de 1965, em Ribeirão Preto (SP), o músico Caio Ignácio também é entrevistado neste "Especial Batera: Dia do Folclore". Músico autodidata com formação em Educação Artística, ele cresceu e se profissionalizou em Campo Grande (MS) e, atualmente vivendo na cidade de São Paulo, ele conta um pouco da carreira e sua opinião sobre a percussão no País.

Ainda na Capital sul-mato-grossense, onde foi criado a partir dos 4 anos, iniciou sua carreira de percussionista com sua irmã - a cantora Maria Cláudia - e com o compositor Geraldo Espíndola, em 1986. É pioneiro nesse Estado onde produziu a "I Mostra de Bateria e Percussão de MS", em 1992. Quando se mudou para São Paulo em 1995, participou do espetáculo "Djembefolá, Orquestra Luís Torres". Em 1997 fez uma turnê pelo Japão, passando por Osaka, Kobe, Kyoto e Nara. Em 1999 fez outra turnê, mas nos EUA, em Miami e Nova York. 

De volta ao Brasil, produziu o evento "Percussão para o Novo Milênio", o qual ele também comenta nesta entrevista. Músico experiente, Caio já tocou com nomes como Vânia Abreu, Andréas Kisser, Sidney Magal, Nando Reis e Tony Belotto (Titãs), Samuel Rosa (Skank) e até com Rick Martin, em 2003. Hoje ele divide suas atividades entre shows, produções, workshops, gravações e eventos, e segue com aulas de musicalização infantil e aulas de bateria e percussão, particulares e em escolas.

Em entrevista ao site Batera, Caio Ignácio também explica o fato de ser o criador do termo polca-rock que, segundo ele, surgiu a partir de suas experiências musicais com o cantor e compositor Geraldo Roca. Neste bate-papo ele também fala um pouco sobre os diversos projetos da carreira, seu trabalho com crianças há mais de 25 anos e o Rootstronic, que mistura sua percussão com a música eletrônica do DJ e produtor campo-grandense Jay-C. 

Conheça um pouco mais sobre os trabalhos do artista e sua visão do Tradicionalismo X Modernidade:

Sua biografia diz que começou na música com a sua irmã e Geraldo Espíndola. Como foi isso?

Comecei minha carreira tocando percussão com minha irmã Maria Claudia que é cantora e com o compositor Geraldo Espíndola (que me influenciou bastante). Minha mãe é pianista, portanto a música sempre esteve presente em minha casa. Apesar de me considerar autodidata, fiz vários cursos e workshops com músicos de formações variadas.

Até se estabilizar como percussionista, baterista, cantor e compositor, como foi a trajetória?

Toquei com muita gente, o que me deu uma visão bem ampla da música: Andreas Kisser, Rick Martin, Guem (Argélia). Né Ladeiras (Portugal), Sá & Guarabyra, Sydney Magal, e alguns sertanejos. Mas nunca fui de sair em turnê com artistas, sempre gostei de ter o meu trabalho.

Com quem já trabalhou ao longo da carreira e que mais te marcou?

Alguns momentos foram bem marcantes pra mim. Tocar com Andreas e a galera do rock foi muito legal, gravei com muitas bandas de rock, misturando o som brasileiro. Tocar com o argelino "Guem", que é uma lenda da percussão foi incrível. Com Rick Martin, apesar do pouco contato, fui uma experiência única. Sempre procuro viver ao máximo essas experiências, a troca de influências é algo sensacional. Também minhas turnês pelo Japão, sempre muito diferentes.

Hoje, 22 de agosto é o Dia do Folclore. Vivendo no país do samba e de tantos outros ritmos regionais, qual é sua opinião sobre a "presença" da percussão nas manifestações culturais?

A percussão é fundamental nas manifestações folclóricas, e dai tiro muito do que uso nos trabalhos que faço. Gosto de mesclar influências, misturar mesmo. Mas pra isso é necessário o bom senso e conhecimento das tradições. Nosso folclore é muito rico e cheio de nuances musicais. Mesclar a tradição e a modernidade é o futuro da música.

Ainda trabalha com musicalização infantil e aulas de bateria e percussão? 

Trabalho com crianças há mais de vinte e cinco anos, e tiro muito dessa experiência em prol da minha música. As crianças são muito verdadeiras em suas reações. Tudo acontece em tempo real, não tem muito filtro, como pra nós adultos. 

Quanto a questão anterior, fale da relação entre a data de hoje, Dia do Folclore, e o uso da percussão voltada às crianças.

Nas aulas uso muito do que aprendi com as manifestações folclóricas, jogos, parlendas e brincadeiras. Também dou aulas de percussão e bateria, na percussão trabalho muito ritmos brasileiros, latinos e africanos.  Na bateria tenho um projeto baseado na chamada "world music" (ritmos africanos, árabes), que é uma carência entre os bateristas.
 
Hoje existem vários eventos só para baterista e percussionista, diferente de quando você produziu a I Mostra de Bateria e Percussão de MS, em 1992. Você acha que hoje essa classe de músico é mais, ou menos valorizada?

Acho que existe uma valorização maior da classe, porém ainda há muito preconceito com relação aos percussionistas. Os próprios músicos tem um certo preconceito porque não têm noção do trabalho de pesquisa que um percussionista precisa fazer. Por outro lado, muita gente se considera percussionista e também não tem noção do que é exercer essa função no contexto musical. Como não há muito conhecimento com relação as possibilidades da percussão, a ignorância acaba imperando.

Como é o projeto Rootstronic, percussão e música eletrônica, pode-se dizer que é uma mistura do passado (da antiga percussão) com o futuro (da moderna música eletrônica)?

Sempre cito nos meus workshops a relação entre Tradicionalismo X Modernidade, como dizia Chico Science: "Modernizar o passado, é uma evolução musical". Importante reconhecer a tradição e lançá-la ao futuro. No projeto Rootstronic aliamos percussão tradicional com sons do futuro, o Jay C. é um DJ muito musical e criamos uma atmosfera bem interessante, com boas doses de improviso de ambos os lados. Tocamos em raves e festas e nos divertimos muito com esse projeto.  

O que foi o evento "Percussão para o Novo Milênio"?

Percussão para o novo milênio foi realizado na galeria dos músicos, na Teodoro Sampaio, e trouxe vários percussionistas como: Paulo Campos, Simone Sou, Javier Ibañez, Jorge Peña, Roberto Angerosa, Deco, Edgar Silva. Eram workshops e jams que rolavam na loja da Suka, que incentivou muito esse projeto com apoio de empresas como a Octagon, Bauer, Safe and Sound e Phedra.

Comente sobre a história do termo "polca-rock".

A Polca Rock foi uma experiência que rolou em Campo Grande (Capital sul-mato-grossense), quando morava lá. Vinhamos do rock e ouvíamos muito a música do Paraguai, o que influenciou na nossa formação.  Insatisfeitos com a forma de se fazer música por lá, criamos uma alternativa fundindo o rock com a música de compasso ternário da fronteira.

Atualmente quais são suas atividades? (shows, produções, workshops, gravações, eventos).

Atualmente cuido da minha carreira solo e continuo fazendo trabalhos como freelancer. Estou finalizando meu disco solo, depois de alguns anos produzindo, é como um filho pra mim. Tem a participação de músicos incríveis que abrilhantaram meu trabalho. Gente do rock, do pop, do jazz, enfim uma mistura que acredito seja bem interessante de ouvir. O disco tem a participação de 40 músicos, que faço questão de citar: 
Rafael Bitencourt (Angra), Fernando Baía (ex-Tihuana), Paulo Zinner, Maria Claudia, Luka Schwab, Kuky Sanchez (Pedra Leticia), Ivan Teixeira (Wanessa Camargo e Luiza Possi), Sidnei, Mestre Dinho, Paulo Campos, Duda Moura, Antonio Porto (Bianca Gismonti), Gil Vieira, Alex Reis (Cirque du Soleil), Serginho Carvalho (Djavan), Joel Pereira, Marcos Mauricio, Junior Meira, Rafa, Tito Cerejo, Vasco Faé (Irmandade do Blues), Fabio Brum (Saco de Ratos), Emmy Wagner, Cleyton Rodrigues (Violive), Luciano Kathib, Trio Manari, Rodrigo Teixeira, Samambaia (Planta e Raiz), Juliano (Planta e Raiz), Daniel Oliveira (Bandamel), Theresa Dalme, Tustão Cunha, Edgar Silva, Guga Machado (Paulo Ricardo), Edu Varallo, Gilson Batista.
Além disso, eu tenho vários projetos paralelos como: Tambores de Fogo, Grupo Mestiçagem de percussão, Opera do Folclore Cibernético e outras performances.
 
Assista ao vídeo do show de Caio Ignácio cantando a música Polca Rock, acompanhado pelo baterista Fabio Portela, Luka Schwab na guitarra, Douglas Lobão no baixo e o tecladista Jonas Dantas:
 

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