Marcelo Bonfá: bateria e poesia desde os anos 80

03 de maio de 2013, por Editorial
O baterista e compositor Marcelo Bonfá é um dos membros fundadores da banda Legião Urbana, criada em 1981. É o autor de várias canções da Legião Urbana, como "Soldados", “Angra dos Reis”, ”Vento no Litoral”, “Longe do Meu Lado”. Responsável pele célula embrionária de quase todas as canções compostas ao lado de  Renato Russo e Dado Villa Lobos Renato Russo e, que somadas, superam mais de 20 milhões de cópias vendidas, figurando entre as maiores vendagens da gravadora EMI no mundo.
 
Atualmente é responsável pelo vocal, bateria e composições de sua banda. Nas apresentações, utiliza sua bateria em posição de destaque à frente do palco, e dali se comunica com um público ávido por cantar junto de quem sabe expressar como ninguém as canções da Legião Urbana. Seu álbum de estreia solo, O Barco Além do Sol (2000), lançado pela Trama, superou as 30 mil cópias e a faixa “Depois da chuva” ficou entre as mais executadas nas rádios do Brasil.
 
O mais recente álbum solo é “Mobile (2007), só lançado virtualmente, em uma interação ainda maior com os fãs, que escolheram através do site as faixas disponibilizadas para livre download. Em poucos dias, Mobile atingiu vendagem superior a 30 mil downloads na internet.
 
Marcelo Bonfá está finalizando seu quarto trabalho, que inclui parcerias com músicos que conheceu em suas recentes turnês internacionais.
 
Confira o bate papo:
 
BATERA: Considerando sua grande carreira como músico e sua importância na música brasileira, como você vê a sua carreira hoje? O que você ainda deseja realizar? 
BONFÁ: Eu tenho uma visão meio maluca a respeito da minha trajetória artística musical e desejo realizar muita coisa ainda dentro e fora da música, como aliás tem sido. Vou lançar minha cachaça “Perfeição” este ano, um destilado orgânico de alta qualidade. Estou pensando também um repertório para um novo trabalho e continuar aprimorando minha performance ao vivo… e mais um monte de outras coisas.
 
BATERA: Seu último álbum foi lançado somente on-line e teve interação com o público. Como você vê o futuro da música com essa mudança nos hábitos e na maneira de escutar música? O que um músico precisa fazer para ganhar dinheiro? 
BONFÁ: Não tenho a menor ideia de qual vai ser o futuro da música. Mas não posso imaginar o ser humano sem música. Sem criar e sem ouvir. Temos um sistema regendo as coisas neste planeta, que vai de mal a pior e na música foi onde as coisas começaram a quebrar primeiro, ou seja, ”a corda sempre quebra no lado mais fraco”. Forte são as corporações, o sistema monetário.
Mas isso deixa claro que a qualidade de vida para o ser humano não é o objetivo destas corporações neste sistema. E um dia as coisas voltam para seu devido lugar. 
Acredito que o "bem" e as coisas realmente importantes para a vida neste planeta sempre vencem no final, de uma forma ou de outra.
 
BATERA: Qual o seu set atual nos shows ou no próximo trabalho?
BONFÁ: Tenho usado basicamente dois instrumentos: minha voz e minha bateria (básica).

BATERA: O que mudou no músico Marcelo Bonfá e na música brasileira desde o fim da Legião Urbana?
BONFÁ: A nova música brasileira tem se beneficiado de todas as influências possíveis através da internet. Eu tenho feito o mesmo desde antes da internet.

BATERA: Qual foi a sua atuação no desenvolvimento do filme “Somos Tão Jovens”?
BONFÁ: Falei pra caramba! E até sugeri a participação dos nossos filhos.

BATERA: Como foi a sua relação com o Conrado Godoy, que interpreta você no filme? Você chegou a dar muitas dicas pra ele ou preferiu deixar o ator mais livre?
BONFÁ: Foi meu filho João Pedro quem chamou ele quando percebeu que não poderia participar. Não tive contato com ele para a formação do personagem, o mérito é todo dele. Não me preocupei muito com isso, pois desde que li o roteiro e adorei, minha passagem no filme era do jeito que eu queria. Entro mudo e saio quase calado... rs... mas deixo minha marca lá. 
O Conrado é uma cara muito legal, adorei ser representado por ele.
 
BATERA: De acordo com o material do filme, o personagem do Fê Lemos atua como um antagonista do Renato Russo no roteiro. Qual a sua relação com o Fê Lemos hoje?
BONFÁ: Eu sempre curti o Fe pra caramba! Ele é mais velho do que eu e eu o admirava muito como baterista. Ele tinha uma energia contagiante e arrisco a dizer que foi ele quem me inspirou por muito tempo com sua pegada simples no Aborto Elétrico. Eu era a única pessoa que ele deixava tocar na bateria dele naquela época em BSB.

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