Playmobeat = três bateristas e seus segredos

29 de abril de 2013, por Editorial
Desde 2009, o grupo Playmobeat encanta a cena musical na Alemanha e em toda a Europa com sua combinação perfeita de humor com percussão de alta qualidade. O sucesso os levou ao primeiro DVD em 2010, 'Transit', que reúne o que os bateristas têm de melhor em criatividade e arranjos bem humorados e surpreendentes. O vídeo 'Standup Drumedy', sucesso no Youtube, faz brincadeira com o termo 'Standup Comedy', já que os músicos não se sentam para tocar os instrumentos.
 
Confira abaixo a entrevista que o Batera.com.br fez com os alemães Andi Bühler, Chris Heiny e David Pätsch.
 
BATERA: Como tudo começou? Como surgiu a ideia do Playmobeat
PLAYMOBEAT: Chris e David tocaram no Blue Man Group por muitos anos e fizeram turnês na Europa juntos. Andi e Chris são da mesma cidade e se encontraram por coincidência em uma sala de ensaios em Berlim após alguns anos sem se verem. Planejamos fazer um projeto juntos, mas só alguns anos depois pudemos colocar o plano em ação. Nós três nos encontramos para uma discussão filosófica e profunda sobre percussão logo descobrimos que nossas ideias se voltavam a um objetivo mútuo: tocar bateria sem compromisso! Três sets de bateria e um monte de ideias novas foram nosso capital de início.
Isso foi no começo de 2009, e a coisa ficou boa na mesma hora: recebemos vários pedidos de shows em pouco tempo e o público ficou totalmente entusiasmado. Antes de entrarmos um um palco juntos, nós não tínhamos ideia se as pessoas iriam gostar do que estávamos fazendo, mas as reações foram de entusiasmo, sem exceção. No final de 2009, nós gravamos nosso primeiro DVD na lendária casa Funkhaus Berlin. Neste ano, nós estamos tocando um projeto de vídeos online em que publicamos um novo vídeo e tutoriais relacionados todo mês. Ele se chama 'Three drummers hitting the headlines 2013' e já chamou atenção em todo o mundo. As pessoas podem ver os vídeos em: www.youtube.com/playmobeatdrums

BATERA: Vocês tem projetos fora do Playmobeat?
PLAYMOBEAT: Todos nós tocamos em bandas diferentes: Bosse, Letzte Instanz, Céline Rudolph, apenas para falar algumas. Tocamos estilos diferentes e cada um de nós vem de uma cena diferente. Isso, é claro, se torna muito conveniente quando se trata de fundir os estilos na criação musical.
 
BATERA: Quais artistas são suas maiores inspirações?
PLAYMOBEAT: Nós sempre nos inspiramos no entretenimento sutil, qualquer que seja o conteúdo. Existem muitos artistas, bateristas, shows e comediantes de que gostamos. Queremos que o público ria e grite quando fazemos algo que nos desafia e, de várias maneiras, tem uma mensagem musical. Nós amamos música e é isso que tentamos criar em nossas baterias.
É claro que existem alguns bateristas específicos de que gostamos, como Papa Jo Jones e Gene Krupa - caras que tocaram em um nível musical realmente alto. Nosso próximo vídeo, que sai no dia 1º de maio, é uma homenagem a Gene Krupa! E tem muitos outros por vir!
 
BATERA: Como vocês praticam seus incríveis 'stick tricks' e como criam os movimentos?
PLAYMOBEAT: Na maioria dos casos, um de nós tem uma ideia e filma em vídeo, para que os outros possam ver. Essas ideias sempre vem junto com alguma ideia de ritmo. É claro que primeiro nós precisamos ensinar o que nossas mãos e dedos precisam fazer. O contexto musical ajuda e, de qualquer maneira, é o mais importante. Então, digamos que em uma semana nós nos encontramos e fazemos os movimentos juntos, aí gravamos em vídeo e nos assistimos para ver as diferenças entre nós. Nós utilizamos técnicas diferentes e isso faz cada movimento ser levemente diferente... mas tudo bem. Nós não somos tão focados na perfeição ou, em outras palavras: nosso entendimento de perfeição é fazer com que a gente e o público se sinta bem, e se uma baqueta cai ou algo não é 100% sincronizado, não nos importamos. Mas isso não significa que nós não trabalhamos intensamente nesses detalhes! É um processo contínuo.
 
BATERA: Qual conselho vocês dariam a um baterista que quer fazer mais 'stick tricks'?
PLAYMOBEAT: Como nós somos bateristas que nunca tinham feito stick tricks antes do Playmobeat, é fácil aconselhar: pratique! Pegue um movimento pequeno e coloque-o nas suas práticas diárias. E seja paciente! Demora um tempo até encontrar a segurança necessária para esse tipo de prática e para fazer isso de verdade em um palco, onde a luz e seu nível de adrenalina fazem com que lançar e pegar uma baqueta seja ainda mais difícil.
O stick trick é um efeito ótico, pois não faz nenhum sentido musicalmente. Mas pense nisso: cada movimento que um músico faz no palco reforça o que acontece musicalmente. Então é definitivamente algo a se considerar no palco. Use os truques com intenção musical e isso vai deixar sua batida mais forte, mais focada e muito especial.
Um stick trick que não se encaixa vai parecer sobrecarregado e fazer você se perguntar: 'por quê'?. Mas com o 'timing' certo, você faz o público vibrar e isso não é nada mal, não é? Aliás, temos alguns tutoriais de stick tricks em nosso site oficial. As explicações estão em alemão, mas com os vídeos devem ser autoexplicativos.
 
BATERA: Como é o processo de compor uma música quando três bateristas estão envolvidos?
PLAYMOBEAT: Normalmente, é assim: algum de nós tem uma ideia, como um groove, um ritmo, um stick trick, um som. Então deixamos a inspiração nos levar. Geralmente desenvolvemos as músicas como se desenvolve uma música pop: groove, harmonia, melodia, gancho. Depois vem a forma, é claro: introdução, verso, refrão, ponte, etc. Como nós tocamos o mesmo instrumento, temos que ouvir de perto e experimentar um pouco quais sons podem formar a melodia e a harmonia. Embora nossas músicas sejam evoluções de 'jam sessions' improvisadas, elas ainda são 90% consertadas no final. Improvisações são importantes para nós, mas para realmente conquistar o público nós nos seguramos em ideias que gostamos.
Não existe um líder da banda. Tem um líder de ação, no máximo. Sempre que um de nós passa mais tempo pensando em uma ideias ou tarefa, ele vai liderar neste momento. Já houve vezes em que nós três queríamos dar sugestões, e tudo acabou em caos. Como baterista, você está acostumado a mostrar à banda como prosseguir - com o Playmobeat, temos que nos revezar e dividir o papel de líder igualmente. Todos estão permitidos a soar o ataque, mas cada um na sua vez.
 
BATERA: Quais as maiores dificuldades que vocês encontram no formato de apresentações da Playmobeat?
PLAYMOBEAT: Uma das coisas mais desafiadoras para nós é que dependemos de ouvir um ao outro muito bem. Em todo show, tem uma sensação de tempo levemente diferente. Precisamos ser flexíveis e reagir um ao outro: isso faz com que seja necessário ouvir atentamente. Algumas vezes, não temos tempo para um 'sound check', o que nos deixa sem chance de conhecer o palco e as circunstâncias. Isso preocupa tanto o som quanto a luz, já que é crucial que possamos enxergar bem para fazer um stick trick, por exemplo. Já tivemos que passar por alguns momentos embaraçosos no passado, mesmo nunca tendo derrubado uma baqueta, os shows sempre são como andar na corda bamba.
 
BATERA: Quais influência musicais vocês incorporam na Playmobeat? Existe algum tipo de influência que planejam acrescentar?
PLAYMOBEAT: Nós tentamos colocar todas nossas influências, que se diferenciam muito em alguns casos, e combinar todas em algo novo que entusiasme o público. Tanto no jazz quanto no metal, rock, música latina o africana, as bases são o ritmo e, por consequência, a percussão. Acabamos de gravar uma música sobre Gene Krupa, que com certeza é uma grande influência para nós. Tem alguns bateristas dessa época que nós gostamos. Naquela época, percussão não era só questão de ser o mais barulhento, mas de realmente entreter a multidão enquanto se veste uma roupa incrível.
Nós basicamente nos desafiamos uns aos outros com novas músicas e novos ambientes. Seja sentados em uma bicicleta em uma entrevista, como fizemos há algum tempo, ou gravando um vídeo na cozinha, como estamos planejando, a mudança é sempre uma inspração.
 
BATERA: Vocês transcrevem suas músicas em partituras? Como é esse processo?
PLAYMOBEAT: Nós nunca escrevemos nada, pois isso restringira nossas opções. É claro, isso significa que precisamos tocar tudo muitas vezes para memorizar, mas teríamos que fazer isso de qualquer forma. A Playmobeat oferece novas descobertas sobre nossos próprios instrumentos e nossas composições abrem novos horizontes de prática para cada um de nós. Todo baterista que já se uniu a outro colega deveria saber o quanto é divertido fazer um groove juntos. E quando você se diverte, o entusiasmo também se espalha para o público. Nossas músicas são composições que surgiram de muita tentativa e experimentação. Não há necessidade de partituras.
 
BATERA: Quais sets de bateria vocês estão usando?
PLAYMOBEAT: Somos apoiados pela Yamaha Drums e Paiste Cymbals. Você poderia pensar que nós usamos os mesmos sets, mas tem uma variedade imensa de sons e tamanhos, é claro. Tentamos ser o mais diferente possível um do outro, e isso só pode ser conquistado pela forma de tocar e afinar. Acima de tudo, cada um prefere sua própria afinação geral.
 
BATERA: Vocês tem alguma história esquisita ou engraçada de algo recente em uma de suas viagens?
PLAYMOBEAT: Todo o projeto de vídeo é uma experiência engraçada para nós. Nós somos três bateristas. O que nós temos que ser, além disso, é: três compositores, dramaturgos, diretores, estilistas, editores, engenheiros de som, críticos, viajantes... e provavelmente o mais difícil de todos: três atores brilhantes.
Uma coisa esquisita que aconteceu em um show na Eslovênia em janeiro: tínhamos ficado 15 horas na estrada devido a uma nevasca. Mesmo sem nunca termos visitado aquele país antes, fomos recebidos como verdadeiros astros, o que foi uma ótima surpresa. Ainda não estamos acostumados a ser reconhecidos fora da Alemanha. E esta entrevista é mais um exemplo disso. Obrigado.
 
 
 

Galeria de imagens

Tags: Playmobeat

Comentários

Veja também: Todas as entrevistas