QN Quarteto: Música instrumental e experimental brasileira no site Batera

30 de julho de 2014, por Editorial

Com Caio Chiarini e Guto Andrade nas guitarras e o André Sangiovanni no baixo, o baterista Wagner Vasconcelos completa o time do QN Quarteto - grupo de música instrumental experimental brasileira. Formado em 2006, o quarteto abusa de compassos quebrados, convenções, modulações métricas, solos e improvisos.

O QN já está finalizando o seu segundo disco, "Músicas de Rádio", e acaba de lançar o vídeo curta metragem/clipe da música "Bingoliamoci". A produção independente satiriza o formato usado no estilo de funk ostentação, por exemplo, com uma original mistura de ritmos como frevo, maracatu, baião, ijexá, samba e jazz.

Apesar do nome QN - "qualquer nota", o quarteto tem influencias de Hermeto Pascoal, Nico Assumpção e Frank Zappa, entre outros de gêneros distintos. A proposta de explorar sons, formas e técnicas de composição com humor e irreverencia, já faz parte desde o primeiro álbum intitulado "Pablo".

Disco autoral lançado em 2011, "Pablo" contou com a participação do compositor Arrigo Barnabé com sua narração em "Fui na Padaria", além de uma música em homenagem ao violonista Guinga. Ele traz na faixa Caos, um solo de bateria de quase 7 minutos que o baterista Wagner Vasconcelos conta com detalhes em entrevista ao Batera.com.br.

À venda nas lojas e aqui, o disco também é disponibilizado em formato digital na Itunes Store, no Deezer e no Spotfy. Para assistir ao vivo, a banda se apresenta no Brechó Boutique Vintage nos dias 1, 8 e 15 de agosto, depois nos dias 5 e 12 de setembro, quando também exibirão os vídeos.

Em processo de finalização com grande parte das músicas gravadas, o segundo disco "Músicas de Rádio" promete formações diferentes do primeiro - em algumas faixas há o som da viola caipira, cavaquinho e uma especial onde os quatro integrantes tocam cordas (dois violões, violão de sete cordas e violão cigano).

Acompanhe a entrevista do site Batera com o baterista do QN Quarteto, Wagner Vasconcelos:

Pensando na questão do mercado e da indústria musical, por que o grupo escolheu a música instrumental e experimental brasileira?

Na verdade as coisas foram acontecendo, houve a necessidade de se enquadrar em um estilo e talvez instrumental/experimental seja uma maneira prática para definir o QN Quarteto. A gente acredita que tem muito para contribuir, mesmo sendo um mercado pequeno no Brasil. Percebemos muitas vezes que pessoas leigas em música param para ouvir nosso som e isso é muito gratificante. A gente acaba fazendo o papel de apresentar esse tipo de música para as pessoas, de mostrar música popular brasileira de outra forma e, com isso, é praticada a formação de um público cada vez mais antenado nesses segmentos: instrumental, folclórico, experimental, brasileiro, jazzístico, world music.

Inicialmente, como surgiu o nome QN e a própria formação do quarteto?

QN é a abreviação de Qualquer Nota e pode ter vários significados. A proposta sempre foi tocar com bastante interação e nesse sentido, qualquer nota que algum integrante tocar vai dar vazão aos outros interagirem e continuar a conversa em forma de música. Principalmente na questão de estar aberto a escutar o que o outro quer dizer, sem preconceito e transformar isso em arte. Também tem o sentido que qualquer nota monetária a gente aceita: dólar, euro, reais, peso argentino, chileno. (risos).

A formação do quarteto surgiu em 2006 na época da faculdade e era para ser apenas um trabalho de conclusão de curso, onde a gente realizou shows temáticos - um dia só tocamos frevo, no outro dia, somente músicas em compasso de sete tempos e teve outro com músicas que levam nome de animal, como "Loro", "A Rã", "O Jegue", "A Cantiga do Sapo", entre outras, foi muito divertido. Nesse processo a gente acabou descobrindo uma bela afinidade e estamos esse ano completando oito anos de vida.

O primeiro disco tem faixas que alegram os bateristas de jazz e suas vertentes, pela qualidade e pelo grau de dificuldade na bateria. Mas como é pra você, autor dessas criações?

Particularmente, tem uma levada de bateria que é uma das que eu mais gostei de compor, que foi pra música Reb parte II, segunda música do disco Pablo. Na parte que entra um maracatu, a melodia das guitarras está em compassos de cinco e sete tempos alternados, enquanto eu toco um maracatu e acaba gerando uma polirritmia interessante.

(Ouça a faixa Reb - parte II

Ainda sobre o primeiro álbum, há um solo de bateria que certamente chama muito a atenção dos bateristas: a música com o curioso título "Caos". Qual foi sua intensão? 

Caos, a faixa treze do disco, é parte do meio da "Intrujada", música que se divide em três faixas. Além de significar bagunça, balbúrdia, desordem e etc., Caos é também um dos deuses primordiais da mitologia grega, a primeira divindade a surgir na história. Representa a confusão de todos os elementos da matéria, antes da provável criação do universo.

(Ouça a faixa Caos)

O que te inspirou a fazer um solo de quase 7 minutos?

Foi inspirado nessa ideia e em grandes bateristas que eu estava ouvindo na época da gravação: Elvin Jones, Tony Williams, Zé Eduardo Nazário e Nenê, que fiz esse solo totalmente improvisado, deixando a criação acontecer na hora da sessão no estúdio.

Como resultado, o solo alterna momentos de aleatoriedade com outros mais ritmados, com algum balanço, por exemplo, as citações de linhas de maracatu. O set usado nas gravações é híbrido e composto por tambores pequenos: bumbo de 18?, tons de 8?, 10? e 12? - usando como surdo. (Veja na Galeria de Imagens).

O que esperar do "Músicas de Rádio" em relação ao "Pablo"? Há previsão de lançamento?

"Pablo" é um disco intenso, com arranjos mais cerebrais, no sentido de modular compassos, várias melodias acontecendo ao mesmo tempo, convenções, etc. Já o "Músicas de Rádio" veio na ideia de fazer algo mais 'pop' dentro da nossa concepção, é claro. A gente manteve a ideia de gravar tudo em uma ou duas tomadas apenas, com os instrumentos sendo gravados ao vivo.

A instrumentação está um pouco diferente também, tem momentos mais acústicos, onde sai as guitarras e entra violão, viola e vilão cigano (gipsy), sai o baixo elétrico e entra baixolão e em uma música até eu toco violão de nylon. Continua explorando os ritmos brasileiros, como samba, baião, maracatu, bossa e com a novidade de uma composição chamada "Funk Carioca" inspirada nesse estilo. A ideia é finalizar tudo até o fim do ano para lançarmos na sequência.

Quais tipos de incentivo, parcerias ou planos, o QN Quarteto busca para finalizar o novo trabalho?

O disco já está gravado e o que a gente busca no momento é parceria para finalizar a parte de mixagem, masterização e prensagem. Para isso estamos preparando um material para entrar no financiamento coletivo. Uma forma das pessoas além de ajudar, ter uma recompensa, no caso proporcional ao apoio. Então a pessoa ajuda com um valor que está afim e no final ganha ou um cd do grupo ou aulas de instrumento com a gente ou até mesmo um show particular, dependendo do caso. 

Assista ao clipe de Bingolimoci abaixo e conheça o QN Quarteto no Facebook, no canal do Youtube ou aqui:

 

 

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