Ramon Montagner e sua Cajonteria

22 de abril de 2014, por Editorial
Baterista profissional desde os 14 anos, Ramon Montagner começou a estudar música aos 12 anos. Sempre trabalhando com diferentes estilos, o músico usa hoje um kit de bateria que se esconde entre os instrumentos de percussão. Em perfeita harmonia com tambores e pratos, além de bastante técnica nos pés, Ramon utiliza diversos pedais, combinando o cajon com sua bateria.

Tocou para Johnny Alf de 1992 a 2006, com quem participou do Free Jazz Festival de 1996, além dos songbooks de Ary Barroso, João Donato e Tom Jobim. Em 1998, gravou em parceria com o baterista Alexandre Cunha o vídeo “Brazilian Duet”, com inovações na fusão da bateria com a percussão.

Desde 2003 na Orquestra Heartbreakers, tocou com Jair Rodrigues, Paula Lima, Simoninha, Paulo Ricardo, Sandra de Sá, Ana Carolina, Baby do Brasil, Preta Gil, Vanderléia, Margareth Menezes, entre outros. Seu primeiro disco solo, Boyya (Mix House), lançado em 2000, teve participações de Hermeto Paschoal, Mané Silveira, Sizão Machado e outros.

Lançou em 2003, ao lado de Gilberto de Syllos, o livro “Bateria e Contrabaixo na Música Brasileira” pela Editora Lumiar - recentemente relançado pela Editora Irmãos Vitalle. Desde 2006 acompanha a cantora Luiza Possi e, neste mesmo ano lançou o segundo disco, “Sambasó”, e o vídeo “Vassourinhas na Música Brasileira” - primeiro DVD/aula sobre o assunto no Brasil. 

Em 2012 lançou o terceiro CD solo intitulado “Atemporal” pela DG Produções. Hoje cursa o Bacharelado em Música Popular na FITO, em Osasco. Além de atuar em vários programas de TV como “Ídolos”, “Astros”, “Rei Majestade” , “Qual é a Musica”  e “Cantando no SBT”, hoje Ramon está no espetáculo “Palavra de Mulher” com Lucinha Lins, Tânia Alves e Virgínia Rosa - que interpretam a obra de Chico Buarque. 

Leia a entrevista e fique sabendo das novidades de Ramon Montagner:

Você acompanhou o cantor e compositor Johnny Alf em turnês e gravações durante quase 14 anos. Quais lições você tirou dessa experiência, que ajudaram a formar o músico que você é hoje? 
Essa experiência foi muito boa. Confesso que estava muito jovem para compreender, na época, o real valor dele. Mas ter tocado por esses longos anos com ele me fizeram desenvolver o gosto pela música boa e refinada, melódica e poeticamente.

Quanto aos songbooks de Ary Barroso, João Donato e Tom Jobim, qual pegada um baterista tem que ter para esse tipo de trabalho?
Como gravei com o Johnny Alf, o arranjo era dele e seguimos as orientações musicais que já praticávamos: tocar um samba balançado e com refinamento.

Você tocou no Free Jazz Festival em 96. Como foi essa experiência? Esse tipo de festival [que deixou de existir devido a leis anti-tabagistas] faz falta?
Foi uma experiência muito boa, assistimos shows fantásticos e pude ter uma noção de como é ser um músico de jazz, participando desses festivais. Com certeza faz muita falta esse tipo de festival no país, mesmo com o crescente número de shows internacionais do gênero.

Você começou estudar música e bateria aos 12 anos. Em que momento você se profissionalizou?
Logo em seguida, com 14 para 15 anos já comecei na noite de Campinas, buscando tocar de tudo e absorver o máximo de experiência possível.

Ainda no começo, com quais estilos musicais você costumava se envolver e trabalhar? O que mudou do início da carreira até hoje? 
Tocava mais MPB no início, mas passei por grupos de pagode, rock, sertanejo, entre outras coisas. Hoje em dia toco além de MPB, música instrumental e pop.

Através da maioria dos artistas que acompanhou como músico de palco (side man), dá pra sacar que você tem um estilo mais puxado pro funk e latin music. Isso está certo, ou você se encaixa em algum outro estilo?
Procuro me encaixar nos estilos musicais aos quais sou exposto nos trabalhos, mas acredito que música instrumental brasileira seja a que me proporciona mais fluência musical.

No gig, você prefere orquestras ou bandas menores? Por quê?
Qualquer formação é bem vinda se feita com qualidade. Bandas grandes são ótimas, requerem de você precisão e força, e nas menores, acredito que as sutilezas aparecem e têm mais relevância.

Em 1998, você gravou com o baterista Alexandre Cunha o vídeo “Brazilian Duet – Ultrapassando Limites”. Quais foram as inovações na fusão da bateria com a percussão? E comparadas com a realidade de hoje 2014?
Com esse projeto iniciei-me nas coordenações e me proporcionou um trabalho que foi e é o meu espaço pras “pirações” rítmicas. Buscamos tornar nossas ideias rítmicas e complexas em música. Esse é desafio constante e desafiador do Brazilian Duet juntamente com o Alexandre Cunha.

Geralmente um pai ama seus filhos da mesma maneira, mesmo assim, entre os três discos da carreira solo que você lançou, qual deles é seu xodó? Por quê? 
Todos têm seu momento e importância. Mas sempre acredito que o "do momento", é o mais importante. Estou iniciando as preparações pra gravação do meu quarto CD.

Ter a qualidade e o reconhecimento de contar com o apoio de músicos como Hermeto Paschoal é para poucos, principalmente em um primeiro lançamento. O que fez e tem feito para ganhar tal prestígio?
Ter gravado com o Hermeto foi uma oportunidade única. Meu amigo e pianista Pablo Lapidusas gravaria com ele uma música para seu CD. Gravamos e fomos ao Rio de Janeiro para a captação do Hermeto. Depois acabou entrando em meu primeiro CD. Ele é um gênio da música.
 
Além dos discos você também lançou livros. Comente sobre a importância de primeiro ler, estudar e só então praticar.
O estudo da teoria deve acompanhar a prática. O músico prático que não lê tem suas limitações, bem como o músico “teórico” perde a chance de fluir melhor se utilizando da prática. Por isso, na minha opinião, as duas devem andar juntas, sempre.

Para muitos músicos é corriqueiro e normal trabalhar na TV, e você já atuou em vários programas como “Ídolos”, “Astros”, “Rei Majestade” , “Qual é a Música” e “Cantando no SBT”. Como é o trabalho de uma banda que precisa estar 100% entrosada e ensaiada mesmo sem tempo para isso?
Leitura musical e versatilidade são os requisitos principais para se trabalhar em bandas na TV. Tudo é sempre corrido e mutante. Tudo é cronometrado e deve ser perfeito e preciso. É uma grande escola pra qualquer músico e pra mim também foi.

Você é responsável pelo primeiro DVD/aula "Vassourinhas na Música Brasileira" sobre esse assunto feito no Brasil. Há planos de novas vídeo-aulas e livros?
Ter gravado esse DVD sobre Vassouras foi muito importante pra mim como aprendizado e projeção nesse meio da educação. Eu e o Gilberto de Syllos também estamos programando um novo livro, uma continuação do primeiro, também falando sobre a cozinha na música brasileira. Também pretendo gravar um DVD ainda este ano: o solo e também com o Brazilian Duet. E quem sabe num futuro próximo um livro sobre meus estudos de coordenação.
 
Quais são seus planos e próximos passos?
Gravar meu CD novo, meu DVD solo, meu livro, o trabalho do Brazilian Duet, o próximo livro (risos)... ideias não faltam! Às vezes faltam as condições e o tempo hábil.

Você atua ou já atuou como professor em clínicas e workshops? 
Sim, regularmente leciono e ministro workshops e clínicas pelo Brasil.

Hoje sua principal forma de expressão musical é a "Cajonteria". O que é preciso saber para compreender esta linguagem?
Cajonteria é o nome que dei pra maneira como toco bateria e cajon simultaneamente. O Cajon é o banco e o instrumento ao mesmo tempo. E busco manter uma levada no cajon paralela à levada da bateria. As levadas soam complementares. É claro que com as duas mãos tocaria um pouco diferente em cada instrumento, mas como a mão direita e os pés “cuidam” da bateria e a mão esquerda “cuida” do cajon, a levada fica híbrida e soa diferente das levadas tocadas separadamente. Isso cria uma particularidade, e isso é o que busco com essa concepção de linguagem.
Recentemente lancei minha nova página e canal de vídeos no Facebook paralelamente ao Youtube, chamada “Cajonteria, Push and Pull e Cia”. É um canal com vídeos, dicas, textos e muito mais sobre assuntos baterísticos em geral, além, é claro, vídeos semanais sobre os assuntos Push and Pull (técnica de mãos) e a Cajonteria, além de outros assuntos. O link é www.facebook.com/cajonteria. Acessem!!

Essa mistura de bateria e percussão, tocando principalmente o Cajon simultaneamente com a bateria, abre a porta para uma série de ritmos. Quais exemplos de possíveis aplicações você pode dar?
As levadas brasileiras, africanas e Latinas, bem como levadas pop soam muito bem nessa concepção.

Você também vai lançar sua linha própria de cajon com sua assinatura. Como nasceu essa parceria? Pode dar mais detalhes?
 Tenho uma relação com a FSA Cajons de Araçatuba (SP) já faz tempo. Tentamos um modelo signature anteriormente e não chegamos a um resultado final perfeito. Agora estamos testando e melhorando um protótipo que estou usando em shows e workshops. Ele tem particularidades com duas esteiras adicionais nas laterais, com tamanhos e sonoridade diferentes. Uma captação especial e esteiras da marca Puresound, que são maravilhosas. Em breve lançaremos o modelo signature Ramon Montagner.

Saiba mais sobre Ramon Montagner:
https://www.facebook.com/cajonteria
http://ramonmontagner.com
http://ramonmontagner.blogspot.com.br

Comentários

Veja também: Todas as entrevistas