Site Batera apresenta: Marcelo Seghese e bateria eletrônica

02 de outubro de 2014, por Rafael Ferraz
O maior site do Brasil de bateria e percussão abre espaço para os bateristas das cidades de interior que, mesmo qualificados, geralmente encontram poucas opções e possibilidades de mostrarem seus trabalhos. Uma prova dessa dificuldade que acontece em todo o País, é bem representada nos encontros, oficinas e eventos que revelam grandes talentos.

Levando essa realidade às cidades do interior paulista, por exemplo, o último Encontro de Bateras de Piracicaba realizado em setembro, no Sesc, contou com a participação do baterista Marcelo Seghese. Piracicabano de 32 anos, o músico mostrou na oficina desse encontro, como incorporar sons eletrônicos na bateria moderna - tema abordado neste novo bate-papo no site Batera. 

Filho de músico, Marcelo Seghese começou a tocar e estudar bateria ainda jovem, com o professor Andre Moreira. Segundo ele, por influencia do seu pai Antonio Carlos Seghese - pianista e lider da banda baile Ecco 2.000, com 16 anos já tocava como profissional. Com 18 anos fez aulas particulares com Alexandre Cunha e Cuca Teixeira, e estudou na antiga Universidade Livre de Música Tom Jobim, com o professor Lauro Lellis, e Arismar do Espirito Santo.

Formado em Licenciatura Musical pela Universidade Metodista de Piracicaba, o baterista Marcelo já tocou com Alessandro Penezzi, Aline Nunes, Banda Themplus, Tiuzinho Rodrigo Almeida - guitarrista com o qual gravou um disco solo instrumental. Antes de participar de concursos e festivais de bateria pelo País, também tocou com grupo Só Dá Nóis no programa Domingão do Faustão, na Rede Globo. Já em 2012 participou da etapa nacional do Roland V-Drums Championship, ficando em terceiro colocado do Brasil. "A partir daí, varias portas começaram se abrir", comenta o músico.

Hoje com estúdio próprio de gravação, o MS Estúdio, onde também ministra aulas particulares do instrumento, o batera piracicabano também da aulas no Instituto Formar de aprendizagem profissional, segue na estrada acompanhando a dupla sertaneja Willyan e Wellington - na qual já gravou um CD e DVD ao vivo, e ainda toca com a banda Funk & Tal-Groove e soul e com a Street Band Décadas, com dois álbuns já gravados - um deles com Marcelo na bateria.


Acompanhe o bate-papo:

Com pai pianista dentro de casa, como e quando você resolveu tocar bateria?

Comecei estudar com 14 anos e, sempre me interessei pela bateria. Desde bem pequeno quando eu sempre tinha que acompanhar meu pai nos shows, eu só ficava perto da bateria, já rodeando e fazendo uns batuques. (risos)

O que você trabalhou no Encontro de Bateras de Piracicaba?

No encontro eu falei e demonstrei sobre como incorporar sons eletrônicos na bateria moderna e toquei alguns Playbacks.

Como foi a preparação, e a escolha do tema que você apresentou?

A escolha do tema foi por eu estar usando bastante o octapad eletrônico junto com a bateria acústica expandindo o banco de ritmos eletrônicos que você pode estar usando nos shows. Hoje em dia, muitas músicas estão surgindo com alguma parte com ritmo eletrônico e o octapad é perfeito pra tocar esses sons.

O que o evento agregou em termos de experiência musical?

Eu fico muito feliz em poder ter tocado no evento de novo. Foi a terceira vez que sou chamado pra tocar no evento que é muito rico em musicalidade, técnica e vários outros assuntos no meio baterístico e, ao mesmo tempo que você ta ensinando e passando algo pra alguém, você também acaba aprendendo com todos que estão lá, como ouvintes ou como apresentadores.

Há muita diferença entre tocar bateria acústica e eletrônica?

A diferença é bem pouca, em questão de pegada e também um pouco no visual e até na questão da sonoridade. Hoje em dia existem milhares de marcas de baterias eletrônicas, sendo que umas são bem artificiais, com som não chega nem próximo das acústicas. Mas também tem as opções daquelas de marca boa, com nível de som impressionante que parece que você está tocando e ouvindo o som de uma bateria acústica e também com o sistema dos pads parecendo um tambor com pele - tudo isso para deixar o baterista mais próximo da realidade de estar tocando uma bateria acústica. Outra praticidade que a eletrônica também ajuda é na questão de fazer trabalhos menores: tipo, você vai fazer uma apresentação em um barzinho que tem que ser o som bem pianinho, uma bateria eletrônica cairia perfeitamente por que com ela você tem total controle do volume no modulo.

Comente sobre sua versão de 'Libertango'.

Eu admiro muito essa obra e um dia passeando por músicas na internet achei uma versão feita com vozes. Daí já comecei a bolar umas ideias de colocar uma guitarra com distorção e pedi pro meu amigo guitarrista Lucas Galli, gravar as guitarras. Assim comecei a fazer variações rítmicas em cima da música, criando também independência com os pés - chimbal e bumbo - que eu fiz e, que ficou muito interessante. Eu toco essa independência com os pés durante a música toda e sempre fazendo variações rítmicas com as mãos.

E sobre seu diferencial, como você ensina a hora de usar alguns pads, por exemplo?

O lance do eletrônico, eu toco dando exemplos de como tocar essas músicas que precisam de sons eletrônicos, tipo uma balada - sem descaracterizar a canção, tocando numa bateria acústica.

E como nasceu essa ideia?

A ideia de eu me aprofundar na bateria eletrônica, também foi essa: tocar essas músicas perfeitamente igual a original, usando ou chegando próximo ao mesmo kit de bateria usado na gravação. Um exemplo é "Just the way you are", do Bruno Mars. Consegui achar um kit no módulo octapad da Roland bem semelhante ao som original. E ficou perfeito! Outras funções que um módulo eletrônico, ou uma bateria pode proporcionar, são os vários bancos de sons como de percussão, de synths, contra-baixos, efeitos etc..
 
 
Curta o som do batera Marcelo tocando Bruno Mars:
 
 

Marcelo Seghese tocando ''For Spanky'' - Kevin Powell

 

Finalista no V-Drums Contest 2012:
 
 
 
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