Site Batera entrevista o jornalista Alexandre Petillo

18 de novembro de 2013, por Editorial
Amanhã, chega às livrarias, o grande e abrangente livro sobre a música nacional, "Curtindo música brasileira - Um guia para entender e ouvir o melhor da nossa arte". Escrito pelo jornalista e crítico Alexandre Petillo, o guia oferece o que todo mundo sempre quis saber: por onde começar, o que é essencial ouvir e o que é preciso saber sobre cada gênero musical típico do país.

A sessão de autógrafos com o autor do livro acontece nesta terça-feira, às 19h, na Fnac da Avenida Paulista, 901, em São Paulo (SP). Pela editora Belas-Letras, a obra é um trabalho que explica a origem e as curiosidades de cada estilo – samba, sertanejo, rock, tropicália, MPB, bossa nova, pop, funk, música eletrônica, música clássica, erudita, além das músicas regionais de norte a sul do país. 

Em entrevista ao site Batera, o autor comenta sobre a tarefa de escrever um guia com 752 páginas, onde cada capítulo trata de um gênero específico. Alexandre fala em entrevista exclusiva como foi a pesquisa das músicas regionais, e revela um dos filmes documentários indicados na lista no guia que mostra pelo menos 300 discos e 4,5 mil músicas. Confira a entrevista: 

A maioria dos livros que levam seu nome, em especial "A Ira de Nasi", "Como John Lennon Pode Mudar Sua Vida", "Noite Passada Um Disco Salvou Minha Vida" e "Você? não sabe quem eu sou", estão ligados à música. Como essa experiência te ajudou na metodologia do guia?
Ajudou bastante com as informações que aprendi com esses outros livros. Durante a feitura do “A Ira de Nasi”, mergulhei bastante na história do rock brasileiro feito no fim dos anos 1970, começo dos 1980, o que hoje ajudou bastante na seleção de discos importantes para o capítulo sobre o rock, por exemplo. Vários discos que amigos escreveram na coletânea do "Noite Passada..." também me ensinaram sobre a história de vários gêneros. 

Além do currículo de jornalista e escritor, você também é crítico musical e já trabalhou em emissora de rádio, tendo acesso a grandes acervos de música. De que forma essa experiência auxiliou na pesquisa?
Na verdade, acho que além de tudo isso, a experiência que mais me auxiliou foi a velha paixão pela música que tenho desde criança. Acho que eu, você, quem vem ler sobre música aqui no Batera, gosta de se informar, conversar, ler sobre o assunto boa parte do tempo. E desde criança, quando minha mãe ouvia os vinis do Roberto Carlos, Chico Buarque, eu já gostava de ler os encartes, olhar as fotos... Passei a vida fazendo isso. Com muitos dos discos que estão no “Curtindo Música Brasileira” eu devo ter uma relação de décadas de companheirismo. 

Por quanto tempo você se preparou, e como fez para explicar a origem e curiosidades de tantos estilos? Você buscou informações com Rolando Boldrin para saber da música sertaneja, mas teve algum estilo que você já dominava a ponto de não precisar de muita pesquisa?
A ideia desse livro nasceu há uns oito anos. Desde então, mesmo sem ter uma previsão de lançamento, sempre fui separando informações e livros que eu encontrava pela frente que eu acreditava que poderiam ser úteis quando esse projeto fosse ser feito. Foi uma pesquisa grande - e muito difícil, porque quanto mais você mergulha, mais acaba descobrindo coisas boas e que merecem estar num livro como esse. 

As músicas regionais de norte a sul do país exigiram um trabalho de pesquisa mais detalhado? Você chegou a visitar todas as regiões?
Muito detalhado e muito difícil. Foi um trabalho bem difícil descobrir as histórias e a base das canções regionais. É um universo muito rico, tem muitos artistas interessantes em todo o Brasil. Foi duro garimpar essas informações e separar alguns discos essenciais - é uma responsabilidade fazer essa avaliação sem ter efetivamente vivenciado essas manifestações culturais de cada região. 

Você também apresenta uma lista de discos e uma playlist que selecionou. Teve o auxílio de alguém ou as canções vieram da memória dessa vasta experiência que acumula?
Vieram um pouco da memória e bastante da própria feitura do livro, das pesquisas. Na verdade, acabei mesmo sendo mais rigoroso com os da memória afetiva, vários ficaram de fora para dar lugar a discos que foram mais importantes e significativos para cada gênero. 

Quanto às indicações de filmes e documentários, você pode revelar algum dos que sugere, para aguçar a nossa curiosidade?
Depende do gênero. Eu gosto muito do “Meu Tempo é Hoje”, do Paulinho da Viola, dirigido pela Izabel Jaguaribe. Acho uma obra-prima. Também acho uma obra-prima o documentário do Raul Seixas, “O Início, o Fim e o Meio”, do Walter Carvalho, uma obra-prima também, uma aula de como fazer um documentário. Mas sugiro um que vai sair: "Você Não Sabe Quem eu Sou". É um doc sobre as várias facetas do Nasi, com roteiro meu, direção do Rogério Corrêa e a Kurundu Filmes. O filme tá ficando bem bonito, são três anos de gravações. Tirando a brincadeira de vender o peixe, é realmente um retrato interessante do momento de um dos últimos autênticos roqueiros brasileiros. E aqui é o primeiro lugar que eu falo do filme (risos)

Quais foram as principais contribuições dos músicos Roberto Menescal, Fagner, Geraldo Azevedo e Roger Moreira? Como e por que chegou nesses artistas?
Procurei tentar falar com ícones de cada gênero. Gostaria de ver a visão de quem realmente participou desse mundo da música sobre esses discos. As listas dessas pessoas foram fundamentais. 

O publicitário Washington Olivetto também foi uma fonte. Por que? Que outras pessoas você consultou, e de quais profissões?
O Washington Olivetto não é músico, mas poderia ser. Sabe tudo de música, é um assunto importante pra ele, uma ferramenta que ele usa bastante no seu trabalho também. Eu adorava as trilhas dos comerciais da Rider que a W fazia. Olivetto sabe muito, assim como o Vinicius Valverde, apresentador da Globo, Big Brother, Mais Você, que trabalhou muito tempo na versão brasileira da Country Music Television e manja muito de sertanejo.

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