Site Batera entrevista Willer Ferreira

15 de janeiro de 2014, por Editorial
O baterista Willer Ferreira, que hoje lança seu "Método para Bateria", falou sobre sua carreira para chegar onde chegou, em entrevista exclusiva ao site Batera. Natural de Morretes, no Paraná (PR), ele revela que começou na Escola de Música Filarmônica Antoninense quando tinha 10 anos e, com apenas 12, já era o baterista titular. 

Em Blumenau (SC), estudou na escola de música do Teatro Carlos Gomes e na Banda Municipal. Ainda adolescente foi indicado a professor de bateria na Fundação Cultural da cidade. “Como na época poucos bateristas liam partitura, o maestro me indicou e eu aceitei”, contou. 

Ainda no Sul, tocou no Cades - Coral Jovem Instrumental, na Big Band da Universidade Regional de Blumenau (FURB) e na Banda Sinfônica da Universidade do Vale do Itajaí. Depois passou no concurso para cabo músico do 23° Batalhão de Infantaria Jacintho Machado de Bittencourt.

Naquele mesmo ano ele foi aprovado no Curso de Formação de Sargentos Músicos do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil - experiência fundamental em sua formação por assumir grandes responsabilidades que o fizeram "amadurecer precocemente", como contou.

Depois de concluir o curso no Rio de Janeiro, foi transferido para Salvador (BA) e tocava na Big Band da Universidade Federal da Bahia (UFBA), paralelo à carreira militar. Três anos mais tarde retornou ao RJ, onde reside atualmente. Com cursos de qualificação em percussão, destacam-se os de tambor de crioula, pandeiro, tímpano, percussão avançada e ritmos caribenhos.

Acompanhe a entrevista com o baterista Willer Ferreira:


Para começar na música com 10 anos de idade na Escola de Música Filarmônica Antoninense, você teve a influência ou incentivo de alguém? Conte como foi sua iniciação musical.
Desde criança, sempre fui louco por bateria. Ainda muito pequeno fazia bateria com latas de tintas e ficava o dia inteiro batendo com uma vara, deixando os vizinhos loucos. Meus irmãos Wilians e Douglas criaram idade e logo foram estudar na escola de música. Eu ainda era muito pequeno e tive que aguardar. Eles começaram a tocar na banda da igreja que frequentávamos e lá eu pude participar tocando prato. Numa das apresentações em que a banda da escola de música fazia na praça, foi anunciado que havia 15 bolsas de estudo disponíveis.  Foi quando minha mãe aproveitou a oportunidade e me matriculou, dando início à minha caminhada musical. Eu tinha 10 anos.
 
Com 18 anos você virou cabo músico de Batalhão de Infantaria e foi aprovado no Curso de Formação de Sargentos Músicos do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil. Como a disciplina militar influenciou nos seus estudos? Qual o maior aprendizado extraído deste trabalho?
Existem músicos de altíssimos níveis nas Forças Armadas, porque já entram prontos e apenas se adaptam aos costumes militares. A influência que obtive foi o amadurecimento precoce, pois mesmo com pouca idade assumi grandes responsabilidades. Também a troca de informações profissionais e culturais, juntamente com a camaradagem no ambiente de trabalho, me influenciou bastante, pois convivo dia a dia com músicos do todo o Brasil.
 
Como surgiu a oportunidade de tocar na Big Band da Universidade Federal da Bahia, em paralelo à carreira militar?
Através de um grande amigo: o trompetista Fernando Miranda. Foi ele quem me convidou para participar da Big Band. Os ensaios eram apenas uma vez por semana, e a maioria das apresentações no período noturno. Assim eu conseguia conciliar sem problemas.

Você fez cursos de tambor de crioula, pandeiro, tímpano, percussão avançada, ritmos caribenhos, e tem prática em bandas e orquestras. De que forma você coloca essas práticas na sua pegada e seu estilo na bateria?
A música tem uma abrangência muito significativa. Os diversos cursos de percussão e práticas de bandas e orquestras me fizeram chegar mais próximo das características dos ritmos e da própria essência da música, influenciando assim minhas concepções nas acentuações e célula rítmica.  

Baseado na sua experiência, que mensagem ou sugestão você poderia transmitir aos leitores do site que estão iniciando o aprendizado na bateria ou percussão?
Todo início é difícil para todos. Aquela luta diante da primeira dificuldade, de pensar em desistir e por algum momento dizer que aquilo não é para você, faz com que muitos fiquem pelo caminho. Talvez poderíamos alcançar um futuro promissor se aceitássemos o inesperado que se coloca diante de nós no curso da vida. Hoje, através da internet, temos o privilégio de ter acesso aos melhores músicos do mundo, e podemos ter nisso uma forma de incentivo ao refletirmos que eles não nasceram os melhores, que nasceram como você e eu. Eles apenas não desistiram.
 
Que outras atividades na música você tem? Tem algum projeto, banda ou artista com quem toca atualmente?
Além de dar aula em duas escolas de música (Espaço Rampa, em Copacabana, e In Concert em Ipanema), faço parte do Trio de Música Instrumental do guitarrista Rogério Guimarães, e nos apresentamos todas as terças-feiras, às 19hs, no Gaia Art & Café, no Leme. O mais novo projeto é o álbum Pé Descalço, que está em desenvolvimento e que pretendemos lançar ainda neste ano de 2014. 
 
Para aguçar a curiosidade dos leitores, fale um pouco de como é o livro. É formado por exercícios? É indicado a qual tipo de músico? Ensina as técnicas e práticas, teoria ou escrita musical?
O método utiliza a escrita musical. A ideia de priorizar o desenvolvimento da coordenação motora faz com que ele não tenha muitas divisões. Ele é indicado para quem está iniciando ou já toca, mas que nunca teve um estudo regular. Oferece uma sequência de combinações feitas entre as mãos e os pés, apresentadas de forma intercalada e distribuída, levando o baterista a obter um melhor desempenho na execução dos movimentos.

Em poucas palavras, como você pode expressar a essência do que você ensina no livro?
Ao buscar a essência dos fundamentos básicos das mãos e dos pés, procuro trazer ao baterista a importância do estudo sistemático do instrumento. Se compararmos o músico renomado com uma casa de finíssimo acabamento, veremos que ambos se deixam notar por aquilo que lhes é em primeira mão exposto: a casa em sua dimensão e beleza e o músico em sua presença no palco. Se buscarmos o que neles se oculta, ou seja, as suas bases, poderemos encontrar ou não um forte alicerce sustentando a casa e o comprometimento do músico com seus estudos.

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