Odery Privilege

25 de setembro de 2006, por Ricardo Goedert

A primeira bateria Odery foi fabricada em 1989, a partir desse ano a semente foi plantada, e hoje podemos dizer que a árvore está fincada no solo, com ótima saúde, sendo muito bem tratada, e o melhor, pronta para crescer ainda mais e expandir os seus frutos. É a partir desse pensamento meio “piegas”, mas real, que vamos começar este breve teste.

A Odery sempre primou em fazer baterias Custom, ou seja, modelos fora de uma linha de produção padrão e vendendo diretamente ao consumidor final (diferente das Privilege que são vendidas apenas em lojas). Essa forma de se fabricar facilita muito para que cada baterista monte o SEU kit com a SUA cara, com o SEU som, com a SUA identidade, mas compensação os custos da custom são bem mais elevados. Hoje em dia é difícil uma grande empresa se manter e crescer no mercado, sem ter uma “segunda linha”, ou melhor, um instrumento de linha, em que se pode oferecer algo mais rápido, padrão, com custo reduzido, atingindo assim um público bem maior. Muitos podem começar a pensar, “mas então quer dizer que o produto que não é Custom é pior!?” Não exatamente, hoje em dia devido à grande concorrência, a grande maioria das marcas vem dia a dia buscando inovações e qualidade, por um custo menor.

Acompanhando essa tendência, a Odery chega no mercado brasileiro com a sua Privilege, modelo de “linha” da marca. E o mais legal, a Odery não trouxe ao mercado apenas mais um instrumento para brigar com tantas outras, mas sim aliando pontos até então não tão conexos. Toda a parte de ferragem é importada, canoas, aros, pés de bumbo, girafa, pedal, etc, tudo foi desenvolvido e supervisionado especialmente para a Odery. Já o grande diferencial está em unir essa parte importada com os incomparáveis tambores feito com as nossas madeiras. Se a maioria dos bateristas soubessem como os gringos ficam loucos com as nossas madeiras e vêem elas lá fora, e parássemos para ouvir o nosso som, com certeza daríamos mais valor ao que temos! Papos à parte, vamos ao que interessa, o produto.

A Bateria

Inicialmente a Odery Privilege está disponível em oito modelos distintos, 4 são com o kit de ferragens inclusos (1 girafa, 1 reta, maq. hihat, est. caixa e pedal single), sendo, PR100HW (8x7, 10x8, 12x9, 14x13, 20x18, 13x5), PR200HW (8x7, 10x8, 12x9, 14x13, 22x18, 14x5), PR300HW (10x8, 12x9, 14x13, 16x15, 20x18, 13x5) e PR400HW (10x8, 12x9, 14x13, 16x15, 22x18, 14x5), os outros 4 kits são os mesmos, porém vendido apenas o kit de tambores, sem as ferragens. Há 5 cores à disposição dos clientes, Copaíba Natural (PR01), Café (PR02), Magma (PR03), Ártico (PR04) e Ferrugem (PR05). As peles atualmente são todas Evans, nas batedeiras G1 clear nas nos tons e surdos, EQ4 para o bumbo, G1 porosa para a caixa. Nas respostas Ressonant GR nos tons e surdos, Ressonant Black no bumbo e Hazy 300 na caixa. Os cascos tem garantia de 5 anos e as ferragens 12 meses, claro, todos contra defeitos de fabricação, e não mau uso. A Odery também está dispondo de tambores avulsos para o usuário aumentar o kit com, tons de 8 e 13, surdos de 16 e 18 e bumbos de 20 e 22.

O Nosso Kit

Para o nosso teste, recebemos uma Odery Privilege na cor Ferrugem, modelo PR400HW. Vamos dar uma passeada nos detalhes dessa bela máquina.

Cascos

Os cascos da Odery Privilege são feitos 100% em Copaíba, madeira amazônica de alta densidade e dureza, proporcionando um bom volume, ataque e projeção sonora. Os veios da madeira são lindíssimos, a cor natural é marrom e o seu desenho natural é lindo e exótico! A caixa e o bumbo tem o casco com 6 lâminas (8,6mm), tons e surdos 4 lâminas (5,4mm).

Acabamento

Para aproveitar bem essa beleza natural da copaíba, a Odery apenas tinge e encera levemente os tambores, realçando muito bem a qualidade que a natureza nos proporcionou. O Vermelho Ferrugem do nosso kit é muito bonito, simples, rústico e casando muito bem com a tonalidade mais escura e opaca da madeira.

Ferragens

Fazendo jus à nobreza da nossa madeira, a Odery desenvolveu junto ao fornecedor em Taiwan belíssimas ferragens para acompanhar o seu kit. As canoas injetadas em die-cast são separadas, com o tamanho pequeno, boa funcionalidade, resistente e leve, o formato me lembrou muito um escudo medieval, uns vão gostar, outros nem tanto, pra mim está aprovada (no quesito beleza). Os tons são todos suspensos por Clamp-Holders, suportados através das estantes de prato, o funcionamento é prático, a sua aparência é discreta e bela. Os pés de bumbo são belíssimos, o seu desenho foge um pouco do telescópio tradicional, sendo mais largo e com uma aparente robustez de causar inveja a grande maioria dos pés de bumbo que vi até hoje. O sistema flutuante para os tons também é muito bonito, não é tão prático como os modelos da Mapex, DW, Premier, etc... mas em contrapartida é bem mais prático do que o sistema Rims, que ocupa vários parafusos do tambor, nesse caso apenas 2 parafusos dos tons são utilizados, ficando assim menos chato e trabalhoso para se trocar as peles. Os surdos são todos de chão, com 3 pés inclusos e canecas furadas diretamente no casco. O resultado final das ferragens na bateria é belíssimo, tudo bem discreto e ao mesmo tempo com um design elegante e moderno (tirando a lembrança do escudo medieval). Todos os aros dos tambores são 1.6mm flangeados.

A máquina de chimbal tem 2 pés giratórios, o que facilita muito o uso de pedais duplos, mas também acaba balançando um pouco mais do que as máquinas com 3 pernas, nada que assuste ou atrapalhe na hora de tocar. A corrente da sapata é dupla, o seu acionamento é leve, com ótima sensibilidade e resposta, há também a regulagem de pressão da pisada, assim como a possibilidade de inclinar os pratos de uma maneira bem prática, usando uma simples chave de afinação, gostei muito dessa máquina.

O Pedal Single é bem robusto, lembra um pouco a aparência do lendário DW 5000, a corrente da sapata é dupla. Ao tocar não senti ele muito leve, de qualquer forma, vai funcionar bem para qualquer baterista, pois basta regula-lo da melhor forma a cada necessidade. O Batedor tem 2 faces, feltro (som mais grave e aveludado) e fibra (som mais “kickado” e seco). Eu não achei muito prática a regulagem de tensão da mola, é um pouco complicada, mas logo está ok, de qualquer forma poderia ser menos complicada, muitos usuários vão acabar desistindo de mexer na tensão devido a essa dificuldade, mas como dizia a mamãe, quem procura...acha. A presilha que prende o pedal no bumbo fica do lado externo direito do pedal, facilitando bastante a montagem dele no kit. Gostei da sua resposta, precisão e ataque ao tocar, a sapata não é muito deslizante, ela prende bem ao pé, não deslizando tanto na hora de tocar.

A Estante de Caixa é belíssima, o visual é muito bom assim como todo o seu funcionamento. O ajuste de angulação da caixa é infinito, pois o regulador tem o sistema de bola, facilitando muito o seu ajuste, e o mais legal, não balança tanto como outros modelos similares que andei tocando ultimamente. Em cada braço há uma catraca ajustável, que facilita muito no posicionamento de caixas de 8” (apesar de eu nunca ter tocado em uma) até 15” com conforto e praticidade.

A Girafa oferece uma bela estabilidade e robustez, a angulação do último estágio é feita através de uma alavanca que funciona muito bem e cumpre o seu papel além de somar muito no visual. Há 2 estágios de altura, cada um deles com a sua respectiva memória, oferecendo praticidade o posicionamento dos pratos sempre na mesma altura. A estante reta segue o mesmo padrão da girafa, muito prática, firme, com um formato simples e desprovido de complicações.

O Banco, apesar de não estar incluso no kit de ferragens básico, veio também para o nosso teste. Eu com o meu belo físico tanquinho (de guerra, mais de 100 e 1m83), não poderia ser um “testador” melhor para falar de banco de bateria. Esse banco é muito bom, bem firme, não balança muito, o acento é confortável, a espuma é bem densa e ao mesmo tempo macia. O ajuste de altura é em espiral (tipo piano), facilitando muito mais o seu ajuste e ainda contando com uma memória independente para travar a altura como o desejado.

Sonoridade

Agora vem a parte que eu mais gosto e dou valor em um instrumento, a SONORIDADE. De nada adianta tanta beleza, tecnologia, robustez, ferragens, etc...etc...etc... se na hora que tocar ela vai responder de maneira rouca e com pouca ou nenhuma personalidade, ainda bem que aqui a coisa é diferente. O kit do nosso teste veio do primeiro lote, as peles são todas RMV de filme duplo (Duo Clear) nos tons e Avant (com anel abafador interno) nos bumbos. Na sonoridade, a Odery seguiu o padrão dos seus kits Custom, o som geral do instrumento é de bom nível. Consegui um melhor resultado afinando mais baixo, com peles duplas mais grossas não há como tirar um sustein muito prolongado ou afinações mais altas. Os tons cantaram de maneira equilibrada, com um bom grave e ataque, volume controlado, boa projeção e poucos harmônicos. Os dois surdos de 14 e 16 são pesados, graves, cheios, com bastante peso e volume, casam melodicamente bem com os dois tons, ficando tudo em boa harmonia, claro que isso depende muito mais de como se afina o instrumento, de qualquer forma, vale ressaltar. O Bumbo veio sem furo frontal, os anéis abafadores originais das peles, ajudam a evitar a necessidade de um abafamento maior, o som já vem praticamente pronto, mesmo assim coloquei uma pequena almofada dentro pra dar uma definição melhor nas notas e aumentar um pouco o kick. O resultado dele fechado foi de tremer tudo, apesar de extremamente grave e pesado, o bumbo cantava com definição, não era apenas uma nota grave soando e tremendo tudo, mas sim uma nota grave, soando, tremendo tudo e com ótima definição, nota 10, pra mim o melhor tambor do kit! A caixa tem a medida 14x5”, extremamente versátil, o seu som é encorpado, seco, médio (nem grave, nem agudo, mas com ótima tendência aos agudos e afinações altas) com ótima dinâmica, sensibilidade e resposta. O rimshot é cortante, limpo e com boa definição. O Automático é bem simples, até simples demais pelo nível de todas as ferragens do kit, mas nada que prejudique o seu funcionamento.

Conclusão

O custo vale pelo nível geral da batera, não achei barato para o consumidor final, mas comparado com o que temos nessa faixa de valor e que vem de fora, vale cada centavo e um pouco mais, não há nada muito negativo para eu destacar nesse kit, a Odery está de parabéns por ter se aventurado nos modelos de baterias de linha, pois como eu disse, não chegou para ser mais uma, e sim somar muito e causar uma tremenda e dúvida na escolha do consumidor, assim como perturbar bastante a vida de seus concorrentes.

Preço Médio: R$ 4.500,00 (completo) R$ 3.500,00 (shell pack)

A Odery Privilege é vendida somente nas Lojas, não sendo possível comprá-la direto da fábrica.

Site oficial: http://www.odery.com.br/produtos/bateriaspr

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