Página Inicial » Artigos » As baquetas e sua história
Parente distante das varetas,
ferramentas feitas de osso ou madeira, usadas na pré-história
como utensílios domésticos ou armas, as baquetas começaram
a ser empregadas na percussão em aldeias primitivas. Mas, nessa
época, ainda tinham uma função diferente do que têm
hoje - golpeadas sobre tam-tans feitos de troncos secos de árvores,
seguiam determinados códigos e assim serviam para transmitir mensagens
de uma aldeia para outra. Foram, assim, as precursoras do código
Morse.
Alguns estudos indicam que,
na África, a Nação Ketu começou a usar as
baquetas para marcar os ritmos de seus rituais religiosos, golpeando a
pele dos seus tambores de tronco. Já a Nação Bantu
usava as mãos para percutir as peles e as baquetas para tocar no
corpo dos tambores. Na Europa, as baquetas também tinham função
utilitarista. Elas serviam para tocar as caixas de guerra das bandas marciais.
Nessa escola, desenvolveram-se algumas técnicas de manipulação
difundidas até hoje. O continente Americano herdou a baqueta tanto
dos seus antepassados africanos, que nele chegaram como escravos no início
da colonização, quanto dos colonizadores europeus. Mas,
enquanto na América no Norte o uso dos instrumentos por africanos
foi proibido (pois temia-se que os escravos se comunicassem à distância
através de seus códigos, e assim organizassem rebeliões
e fugas), na América do Sul não houve essa repressão
e a musicalidade africana pode se desenvolver amplamente.
Com a criação
da bateria no início do século XX, as baquetas passaram
a ser alvo de constante aprimoramento. Surgiram novas maneiras de tocar
e uma maior diversificação de modelos. Há cerca de
25 anos, uma técnica muito difundida requeria maior movimentação
dos braços e dos punhos. As baquetas, então, precisavam
ser mais compridas. Já nos dias atuais, o seu tamanho diminuiu,
devido à maior utilização dos dedos e do "aproach",
garantindo mais velocidade e precisão dos toques.
Com relação
à numeração, apesar de existir uma mais comum copiada
por 3 ou mais marcas, cada fabricante utiliza sua própria norma.
Isso porque o interesse de quem fabrica é se diferenciar dos concorrentes.
Quanto às madeiras, inúmeras pesquisas foram realizadas
para determinara quais seriam as mais apropriadas. Nesses estudos, os
principais aspectos enfocados foram peso, densidade, sentido e uniformidade
das fibras e, acima de tudo, a pureza específica de grandes lotes
de madeira, para se obter a máxima uniformidade em cada par. As
espécies que melhor preencheram esses requisitos foram o Pau Marfim
brasileiro e o Hickory norte-americano. Mas não é só
a qualidade da matéria-prima que conta. O maquinário e as
ferramentas para a fabricação das baquetas devem ser constantemente
modernizados, com o objetivo de garantir a uniformidade e a perfeição
de cada par, embora a confecção artesanal também
possa atingir um alto nível de qualidade. É o caso das baquetas
de xilofone ou vibrafone, que têm sua ponta enrolada e costurada
à mão com lã ou linha e o miolo em madeira ou borracha
de diversas densidades, para proporcionar timbres mais macios ou mais
secos. É isso ai. Preste atenção na hora de comprar
seus próximos pares de baquetas para garantir que seu instrumento
de trabalho esteja à altura do seu desenvolvimento.