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Resolvi começar a escrever estas matérias visando auxiliar o pessoal que está começando, fazendo shows com suas bandas ou pensando em utilizar estúdios para fazer seus trabalhos de ensaio, gravação, pré-produção e afins.

Cada matéria vai abordar dois tópicos, sendo que nesta primeira estaremos conversando sobre:
-Fundamentos Básicos sobre o Áudio-I.
-Microfones e algumas formas de captação.

FUNDAMENTOS BÁSICOS SOBRE O ÁUDIO - I

Desde a época das cavernas os seres humanos tiveram que achar uma forma de se comunicar, sendo através da fala, grito, gestos ou através de batidas em tocos ou árvores. Nos casos da fala ou nas batidas em tocos, estas formas geram a propagação do som. Nestes casos, a fonte sonora consegue atingir apenas uma pequena parte da propagação, isto é fazer com que o ‘som’ seja enviado até uma certa distância, visto a pouca ‘potência’ aplicada.

Vamos pensar um pouco: “O que vem a ser o tal do SOM ???” Para tentar explicar este fenômeno, vou utilizar uma frase que ouvi em uma palestra sobre sonorização.

Há uma questão clássica utilizada pela comunidade do áudio, que é a seguinte “Se uma árvore cair em uma floresta e não houver ninguém para ouvir, haverá som ?”. Esta frase ilustra o DUPLO SENTIDO da palavra “SOM”. Para esta pergunta existem duas possíveis respostas, “SIM” e “NÃO”. A resposta seria positiva se considerarmos que SOM é o resultado físico da pressão das ondas sonoras através do ar, terra e etc. Mas se considerarmos que SOM é uma sensação criada por nosso processo auditivo (ouvido), a resposta certamente seria “NÃO”.

Para aumentarmos a distância, fazendo com que o ‘som’ chegue o mais longe possível, criamos uma forma de amplificar este sinal sonoro, que consiste em: FONTE SONORA, CAPTADOR, PROCESSADOR, AMPLIFICADOR e REPRODUTOR SONORO. Este é o básico de um sistema de sonorização. Trazendo isto para os equipamentos teremos:

Sound Waves: FONTE SONORA: Voz, Instrumento, ou qualquer coisa que seja uma fonte sonora.
Microphone: CAPTADOR: Microfone, capaz de converter um sinal acústico em sinal elétrico.
Mixer: PROCESSADOR: (mais conhecida como mesa de som), capaz de processar (tratar) o sinal elétrico.
Amplifier: AMPLIFICADOR: Sistema capaz de receber um sinal elétrico e amplificar (aumentar) o nível do sinal elétrico.
Loudspeaker: REPRODUTOR SONORO: Sistema capaz de transformar o sinal elétrico em acústico.

Teremos então:

CAPTADOR - Microfone.
PROCESSADOR - Mixer (mais conhecido como mesa), Equalizadores, Processadores de Efeito, Compressores, Gate, Expander, e afins.
AMPLIFICADOR - Amplificadores, potências.
REPRODUTOR SONORO -Alto Falante, Caixas de Som.

Bem, conhecendo esta seqüência básica, vamos entender algumas notações que encontramos nos equipamentos: IN quer dizer entrada e OUT quer dizer saída. Entendendo estas duas palavras em inglês, as coisas começam a fazer mais sentido.

O sinal gerado pela voz ou instrumento, captado por um microfone, que transforma o sinal acústico em elétrico, que por meio de um cabo, leva este sinal até a mesa (Mixer) ao conector IN (entrada). Já na mesa, este sinal pode ser modelado com equalizações, ganho, volume, efeitos. Da saída master (OUT) da mesa, o sinal poderá ir para um equalizador (IN) , onde será feita a equalização das caixas acústicas para que tenham boa sonoridade. Do equalizador (OUT), irá para o amplificar de potência (IN) que, basicamente, possui a função de amplificar este sinal. Depois de amplificado, este sinal é enviado para as caixas acústicas que transformam o sinal eletro-mecânico em acústico, e por fim através do ar, chega aos nossos ouvidos. UFA !!!

CABOS, CONECTORES e AC.

Claro que, todos estes equipamentos não irão funcionar sem: Cabos, Conectores e a Energia Elétrica (AC).A energia elétrica é a “comida” de todos estes equipamentos, se ela estiver “suja”, eles ficarão engasgados, por isso tenha sempre uma ‘comida’ bem “limpinha”, principalmente para equipamentos que trabalham com (AD/DA) Conversões Analógica/Digitais.

O que eu quis dizer com “suja”, numa rede elétrica que não atinge os níveis aceitáveis para alimentar um equipamento.Normalmente todos os equipamentos trabalham basicamente com uma voltagem em 127v, mas nós sabemos que a rede elétrica atual é falha, podendo baixar ou subir, causando instabilidade em alguns equipamentos.Um filtro de linha ou um estabilizador pode resolver um pouco do problema.

Um ponto em que todo mundo adora tocar é: “Vou arrancar este pino a mais que está sobrando neste plug”, mais conhecido por tomada de três pinos (2P+T), que significa, dois condutores e um “TERRA”. Este mesmo pino que estamos acostumados a arrancar, aquele “maiorzinho e arredondado”, muitas vezes é quem vai salvar agente de tomar um choque ou que, em caso de descarga elétrica, ajuda o equipamento para que não seja danificado.

Cabos e Conectores, todo mundo faz a maior confusão neste ponto. Cada equipamento trabalha com especificações necessárias para o melhor desempenho. Existem diversos tipos de Conectores e diversos tipos de cabos, com bitola apropriada para cada necessidade.

Nos conectores encontramos:

XLR: Utilizado para entradas e saídas balanceadas. Mais utilizado também para cabeamento de microfone. É composto de 3 (Três) condutores, onde o pino 1 é o “TERRA”, pois é ele faz parte daquele mesmo que arrancamos lembra ??, O pino 2 que é o HOT (Quente) e o pino 3 que conduz o sinal COLD (Frio). No caso dos pinos 2 e 3 eles conduzem o mesmo sinal, mas com suas polaridades invertidas, enquanto um sinal é positivo, o outro é negativo. Este processo evita que os ruídos vindos pela rede elétrica, por exemplo, seja também amplificado, pois os mixers tendem a cancelar estes ruídos na sua entrada.

TS, TRS ou ¼ JACK: (FIGURA A) Estes são conhecidos erroneamente como “BANANA”, que no caso é o famoso P10, mais utilizado para entradas e saídas de áudio, cabos de guitarra, fones de ouvido e etc. Podendo ser do tipo MONO (TS) ou ESTÉREO (TRS), balanceado ou não balanceado.Os conectores BANANA, em alguns sistemas são utilizados em caixas acústicas e seu formato é diferenciado.Os mesmos modelos TS e TRS também são encontrados em 3,5mm, mais conhecidos como P2 e utilizados basicamente em fones de ouvido, placas de áudio para computadores.

RCA: Utilizado geralmente em entradas e saídas para Tape-Deck, MDs, CDs, Vídeo-Cassete e etc. Para equipamentos com entradas e saídas digitais, encontramos os modelos SPDIF, que são conectores RCA de 75Ohms.

Via de regra devemos pensar que: JACK é denominado FEMEA e PLUG denominado MACHO.Existem ainda outros tipos de conectores, mas não tratarei neste momento para não deixar uma lista enorme e cansativa.

No cabeamento também encontramos diversos modelos sendo, balanceados ou não, com malha, e específicos para microfones, guitarras, cabos para serem utilizado sobre Baixa impedância e Alta impedância, Coaxial, Fibra Óptica e afins.O cabeamento também é algo que requer um tópico especifico e estarei escrevendo posteriormente. Neste momento, lembro de um cabo que montei quando não tinha muito conhecimento sobre áudio e que, quando fui testar adivinhe ??? Virou uma antena perfeita, isto porque eu fiz um cabo muito, muito longo, não-balanceado, pois estava usando PLUG do tipo TS (Mono) e que não tinha malha, com a impedância errada e não blindado, logo estas combinações criaram uma antena que conduzia um sinal sujo (um ruído) que, ao entrar no MIXER e ser AMPLIFICADO, tocou uma freqüência da rádio AM local. Acredito que ninguém quer que apareça um “Goooooolllll” bem naquela hora de silêncio né !

Tomar cuidado com o cabeamento pode melhorar muito no som a ser executado ou gravado.