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Aprender a escrever suas
próprias partituras é um hábito que devemos desenvolver,
não importando se você é um baterista em atividade
ou apenas um iniciante.
Quer você toque com a mesma banda
toda noite ou como um freelancer (tocar com várias bandas), há
muitos benefícios em escrever suas próprias partituras.
A maioria das partituras escritas para bateria são muito "pobres".
Elas geralmente oferecem nada mais do que alguns acentos que você
deve fazer junto com a banda. E as partituras que mostram os ritmos e
os fills, geralmente estão incorretas. Por estas razões,
se eles te entregam uma partitura ou não, você deve aprender
a escrever as suas.
A Partitura Caseira
Suponha que você tenha uma nova
música para trabalhar. Se você receber a partitura dela,
use-a como uma base para criar a sua. Se não receber, você
pode escrever uma. Primeiro faça um esboço da música
toda num papel em branco. Se houver uma "intro", inclua-a no
papel, mas não coloque nenhuma nota ainda. Depois inclua as outras
partes da música. Faça uma anotação acima
de cada seção da música, por exemplo, verso, chorus,
ponte, fill, etc. Anote também, as seções onde haverá
solos ou entrada de um cantor. Uma vez que você acabou o esboço
da música toda, é hora de adicionar os detalhes.
Se você tem ensaiado com algumas
bandas, deve ter notado que eles servem para fazer a checagem e alguma
alteração da música, se for necessário. Serão
adicionados alguns elementos e substituídos outros até que
a banda resolva que o arranjo está pronto. O mesmo serve para sua
parte. A música deve te dar uma idéia de qual groove você
vai usar, mas o groove exato é algo que você vai experimentar
e descobrir com a banda toda. É aí que entra sua percepção.
Você deve ouvir cuidadosamente o que os outros músicos estão
tocando e tentar encaixar seu padrão rítmico na música.
Neste ponto, sua partitura deve consistir
de uma ou mais folhas com compassos vazios, e apenas algumas anotações
acima de cada seção identificando-as como Intro, Verso,
Solo, Ponte, etc. Você deve marcar também o andamento e o
estilo a ser tocado (funk, rock, samba, etc.). Agora vem a melhor parte.
Preste Atenção ao Ritmo
Da primeira vez que você tocar a
música, preste atenção ao contrabaixo. Se não
houver um baixista, preste atenção na "linha de baixo"
(mão esquerda) do piano/teclado. Se o tecladista não está
fazendo a linha de baixo, saia da banda. (Estou parcialmente brincando
aqui). Uma banda sem baixo é uma banda sem coração.
Ok, vamos assumir que sua banda tenha um baixista. Você e o baixista
têm que completar um ao outro, não competir um com o outro.
O baterista deve seguir o padrão rítmico do baixista e vice-versa.
Não exatamente nota por nota, mas próximo a isso. Isso dá
ao resto da banda uma base sólida. O próximo membro da banda
que você deve ouvir, é o tecladista. Se não houver
um tecladista ouça o guitarrista. Seu padrão rítmico
não deve conflitar com o padrão do guitarrista. Se a sua
banda inclui um percussionista, você também deve prestar
atenção ao que ele está tocando. Uma vez que você
definiu o padrão rítmico, escreva-o na sua partitura. O
fator "ouvir" é muito importante. Há muitos bateristas
que tocam bem sozinhos, mas soam horríveis acompanhando uma banda.
É porque eles não ouvem ninguém na banda além
deles mesmos. Você pode ser o maior solista de todos os tempos,
mas para soar bem com uma banda você deve se tornar parte desta
banda. Ouça cuidadosamente o que os outros membros da banda estão
tocando e complete cada um deles.
Uma vez que você definiu os padrões
rítmicos, você pode se concentrar nos acentos que deve fazer
junto com a banda. Com certeza você não vai decorar todos
eles. Então anote-os na partitura.
Agora, sua partitura deve conter o seguinte:
- a indicação do andamento.
- o estilo de música a ser tocado (jazz, rock, etc.).
- o esboço da partitura toda dividida em compassos.
- seções musicais com suas respectivas marcações
(verso, solo, fill, etc.).
- o padrão rítmico escrito em detalhes.
- todos os acentos que você fará com a banda.
Se a música tem uma linha de voz,
você poderá marcar algumas das principais palavras da letra.
Também, (a menos que infelizmente você esteja numa banda
em que você tenha que tocar exatamente os mesmos fills, exatamente
nos mesmos lugares) não escreva os fills, use somente a palavra
FILL e deixe-os fluir de acordo com o momento.
Quando escrever sua partitura, esteja
certo que ela está compreensível e legível a uma
certa distância. Não inclua codas e sinais de repetição
complicados demais, a ponto de fazer você se perder. É mais
interessante escrever uma partitura um pouco longa e fácil de seguir
do que uma curta e fácil de se perder.
Uma vez que você tenha várias
destas partituras "caseiras", procure fazer um arquivo pessoal.
E não se esqueça de ter uma cópia de cada uma em
caso de perda.
Se você acha que ler uma partitura
num show não é uma atitude profissional, você tem
duas escolhas: memorize todas as músicas que for tocar ou coloque
a partitura numa posição que o público não
possa vê-la.
Mesmo que você
não tenha a intenção de usar as partituras
nos shows, eu recomendo que você as transcreva assim mesmo
como um meio de treinar sua percepção e as use nos
ensaios pra verificar se estão certas. As partituras ajudam
a visualização da estrutura musical como um todo.
E lembre-se ouvir é um dever!
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Bill Meligari