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Em que pesem os nomes de grandes bateristas já entrevistados, como Pascoal Meirelles, Robertinho Silva, Téo Lima, dentre outros, neste ano de 2005 nossos holofotes ainda não iluminaram nenhum grande ícone da arte dos tambores. A Galera do Fórum cansou de cobrar e resolvemos recompensa-los por esse longo verão de marasmo na nossa Coluna. Corremos atrás do prejuízo e alcançamos os nossos objetivos: entrevistamos a Número 1 no atual cenário da indústria da bateria nacional - Mariana Souza. À frente da Revista Batera, Mariana ora estabelece e ora aponta as novas tendências da indústria, orienta os bateristas, aconselha, trás notícias musicais do Brasil e do Exterior, enfim, forma opinião. A variedade de assuntos não se limita à bateria: estúdios, gravadoras, produtores e todos os temas que orbitam a vida do baterista amador ou profissional são tratados na Revista - que deveria ser tombada como patrimônio nacional.

A Revista Batera cumpriu um papel desafiador: uniu, estabeleceu um elo entre os bateristas, classe até então dispersada por esse país de dimensões continentais - homogeneizou conceitos sob critérios sérios, técnicos - e hoje é ponto de referência no Brasil e no exterior. Tão nobre e difícil tarefa não poderia ficar nas mãos de pessoas incompetentes. Nessa esteira só podem passar aqueles pró-ativos em idéias e ideais. Os oportunistas e carreiristas não encontram espaço no desenvolvimento de tão árdua e técnica missão.

Filha de peixe peixinha é? Não sabemos, mas que nesse caso a regra se confirmou, ora, ressalta aos olhos. Resta saber se a criatura vai superar o criador e temos certeza que Dudu Portes concorda com tal assertiva. Mariana tem estrela - e brilha. Brilha tão forte que ofusca o céu.

É isso minha galera, dessa vez trouxemos alguém que pensa grande, que tem visão panorâmica do mercado da música, sob todos os seus ângulos. Com vocês, Mariana Souza !!!!

Site Batera : Como você se sente, tão nova, à frente de uma revista tão importante como a Revista Batera? Como você lida com essa responsabilidade, sabendo que a Revista Batera e a Modern Drummer são as duas únicas revistas especializadas que realmente atingem a grande massa?

Mariana Souza : Para mim é um grande privilégio poder editar a revista Batera. Posso dizer que realizei um sonho, já que desde pequena queria ser jornalista musical. E tudo fluiu para que eu chegasse onde estou agora. Estudei e batalhei muito para isso. Para mim essa responsabilidade é, acima de tudo, um grande prazer porque faço o que gosto. E acredito que isso seja essencial para atingir um bom resultado. Na minha opinião, a dedicação, seriedade e profissionalismo são a chave para o sucesso. Isso sem nunca esquecer que centenas de leitores lêem o que você escreve. O poder da palavra é incrível e quando se tem isso, é preciso ter a cabeça no lugar para poder usá-lo da maneira mais positiva e responsável possível.

Site Batera : Você se revela uma apaixonada pelo instrumento. Como é essa sua relação com a bateria e até onde essa sintonia é importante para o sucesso profissional? Sabemos que você estuda com a Vera Figueiredo. Mesmo sendo filha de um grande mestre você optou por estudar fora de casa. Por quê?

Mariana Souza : Minha relação com a bateria vem desde que eu nasci. Sinceramente não imagino a minha vida sem ela. Quando era apenas um bebê de colo ficava nos camarins com minha mãe enquanto meu pai tocava. E cresci e me desenvolvi no meio musical. Essa sintonia é muito importante porque hoje tenho segurança para poder seguir com a minha profissão, já que seria impossível falar mensalmente sobre algo que não tenho a menor idéia do que seja. Com relação ao meu estudo do instrumento, acho que o velho ditado "em casa de ferreiro o espeto é de pau" se encaixa perfeitamente ( risos ). Tentei ter aulas com o meu pai, mas muitas vezes não levava tão a sério justamente pelo fato dele ser o meu pai. Foi até uma idéia dele me encaminhar para a Vera, que é uma professora incrível. Mas o Dudu me dá vários toques e dicas, como ele faz com todos os seus "filhos" de bateria ( risos ).

Site Batera : Na sua opinião como vão as grandes marcas de bateria da indústria nacional no panorama da indústria internacional? Temos uma bateria de boa qualidade e bom preço? Somos respeitados? Admirados? Você acredita que nos próximos dez anos a indústria nacional melhore ainda mais?

Mariana Souza : Acredito que as marcas nacionais estão caminhando para o sucesso, estão se desenvolvendo, pesquisando e investindo alto em novas tecnologias. Certamente nosso mercado está "correndo atrás". Acredito que os fabricantes perceberam que temos matéria -prima, mão de obra e pessoas capacitadas para o trabalho. Além de tudo, o preço dos produtos importados é exorbitante para a nossa economia atual. Com isso tudo, só temos a ganhar. A qualidade dos nossos instrumentos está muito boa e, na minha opinião, somos respeitados sim internacionalmente. Basta ver a participação das marcas brasileiras na mais recente edição da NAMM Show, que aconteceu em janeiro. Todos colheram bons frutos e muitos elogios, tanto que alguns estão agora na feira de Frankfurt, na Alemanha, com o mesmo sucesso. Sou 100% a favor do produto nacional e acredito que na próxima década estaremos competindo "pau a pau" com os importados.

Site Batera : Como você vê o mercado para o músico profissional? O baterista tem trabalho no Brasil ou precisa ir para o exterior par alcançar um bom padrão de vida? O que você recomenda para quem está começando e pretende se profissionalizar?

Mariana Souza : O mercado do músico profissional não vive seus melhores dias mas, sem querer polemizar, o próprio músico tem a sua parcela de "culpa" nisso. Isso porque muitos não se impuseram e toparam diminuição de cachês e assim depreciaram seu próprio trabalho. Ser músico é ter uma profissão como qualquer outra. Já ouvi diversas vezes perguntarem: "o que você faz?". E a resposta: "sou músico". E a réplica era não menos de que ofensiva: "não perguntei do seu hobby, mas sim o que você faz para viver". Alto lá, o músico tem um papel fundamental na nossa sociedade e na nossa cultura. Projetos como o do baterista Flávio Pimenta, e seu Meninos do Morumbi, tiraram, por meio da música, crianças da rua e formaram cidadãos. Mas voltando à sua pergunta, ir para o exterior para fazer sucesso é um dos maiores erros que o músico pode cometer, na minha opinião. Conquiste o seu país primeiro, faça o seu nome na sua "casa" e só depois vá para fora com a carreira consolidada. Se você tiver talento, profissionalismo, dedicação e força de vontade, as coisas acontecem. Não é impossível viver de música. E, honestamente, os Estados Unidos, por exemplo, não precisam de mais músicos tocando jazz, fusion ou rock. Eles querem ver algo diferente e nós temos esse algo a mais. Meu conselho é esse, seja respeitado em seu próprio país para depois querer ir para o exterior.

Site Batera : E a Revista, alguma novidade? Algum projeto, alguma surpresa? Quais as perspectivas da Revista Batera?

Mariana Souza : A revista está com um novo projeto gráfico, com um visual mais moderno. Estou muito feliz com essas mudanças porque acredito que a Batera foi revigorada. As perspectivas da nossa revista são de sempre informar e proporcionar ao leitor aquilo o que ele procura e precisa. O maior prazer para toda a equipe da Batera é receber e-mails de leitores agradecendo e elogiando a publicação porque temos a sensação de dever cumprido!

Site Batera : Enfim, gostaríamos de agradecer a você, em nome de todos os bateristas brasileiros, por essa sua dedicação ao mundo dos tambores ao longo desse tempo e deixar um espaço aberto para que você conte pra gente um pouquinho dos seus projetos pessoais futuros e mandar um recado pra Galera.

Mariana Souza : Eu é que quero agradecer a toda a comunidade baterística pelo respeito e carinho com que venho sendo tratada nesses três anos que estou à frente da revista. Espero sempre poder contribuir da maneira mais positiva possível com o meio musical porque a música e a arte são minhas grandes paixões. E pretendo seguir esse caminho pelo resto da minha vida. E no mais, a minha dica é que os bateristas continuem tocando, estudando e representando a nossa música porque isso é o que importa. Amem o que vocês fazem e nunca se esqueçam de que a união é fundamental para que possamos crescer. Não falem mal de seus colegas mas sim prestigiem aquilo o que eles produzem. Pode parecer um clichê mas é a pura verdade, no fim, somos todos parte da mesma família com um amor em comum: a bateria!