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A grande proposta do Site Batera é democratizar esse instrumento milenar, antes, limitado a alguns privilegiados que tinham acesso aos tambores em detrimento de uma maioria, que se via impossibilitado de tocar, seja por falta de informação, de dinheiro ou simplesmente porque nunca tiveram a oportunidade de chegar perto de uma bateria. “Democratizar a batera” não significa apenas aumentar o seu número de discípulos, mas também dar àqueles que já se desenvolveram uma chance de aparecerem e terem seus trabalhos reconhecidos.
As grandes revistas precisam atender um público exigente e eclético e, por isso, não resta muito espaço para aqueles dedicados anônimos. Aqui no Site Batera, portanto, procuramos preencher essa lacuna da mídia, e sabemos que a repercussão é grande, satisfazendo o baterista focado pelos nossos holofotes. Entrevistamos estrelas de primeira grandeza, mas também abrimos nossas páginas aos menos conhecidos. São notáveis brasucas, que se debruçam nos estudos horas a fio, tocam nos porões das noites brasileiras e não encontram uma oportunidade para divulgar sua arte e ofício.
Assim, aproveitamos o lançamento do segundo disco da banda carioca de melodic-rock, Pleasure Maker (“Twisted Desire”, o primeiro disco chama-se “Love On The Rocks”), depois de constatar o sucesso que está fazendo em todo o mundo, inclusive no Japão, e resolvemos entrevistar o baterista Adriano Morais, 34 anos, batera da banda desde sua formação.
Influenciado por grandes bateristas como Eric Carr, Rod Morgenstein, John Bonham, Ian Paice, entre outros, Adriano, que também gravou backing-vocals em “Twisted Desire”, gravou as bateras deste segundo disco no estúdio Casa do Mato na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro, e vai nos falar um pouco de como foi todo o processo de composição, e de como ele gravou os dois discos do Pleasure Maker.
Site Batera: Fala Adriano!!! E aí, quando você começou a se interessar pela bateria? Qual baterista te chamou a atenção pela primeira vez?
Adriano: Fala aí, pessoal !!! Bom, como todo bom batera, comecei a me interessar por “tambores” e coisas parecidas desde pequeno. Segundo minha avó me dizia, aos 3 anos já batucava em tudo! (risos). Tocava em latas de Neston, Nescau, (olha a propaganda!) e coisas do gênero. Ganhei minha primeira batera, uma Gope de acrílico e tenho esse instrumento até hoje guardado (relíquia). Aos 13 anos já comecei a tocar, mesmo não tendo aula nenhuma. Dois bateras me chamaram a atenção na época, o Stewart Copeland (Police) e o Eric Carr (Kiss).
Site Batera: E como foi formar sua primeira banda?
Adriano: Foi o máximo !!! Comecei com meus irmãos e um amigo. Como eu já tocava e eles ainda estavam aprendendo, ficava agoniado para tocar tudo o que eu gostava de ouvir. Tocávamos muito Rock Brasil anos 80, do tipo Titãs, Ultraje, Legião e por aí vai.
Site Batera: Como começou seu trabalho no Pleasure Maker?
Adriano: Numa bela tarde de sábado, Alex Meister me ligou (eu estava no metrô) e disse que estava querendo montar um projeto independente, com trabalho próprio estilo anos 80, bem Hard Rock. Já tínhamos tocado juntos numa banda cover do Bon Jovi chamada New Jersey (eu, Santana, Meister e Marshall). Daí, sopa no mel, né?!?! (risos). Em seguida o Meister me deu uma fita k7 (eita!!! Rsrsrs) com as demos só de guitarra e voz para eu escutar e tentar compor alguma coisa. Depois de muitos ensaios, saíram as faixas do 1° álbum do PM, “Love On The Rocks”, algo que pra mim foi fantástico, ver e participar desse projeto.
Site Batera: Qual foi a principal diferença entre a gravação do primeiro disco e agora do segundo?
Adriano: A palavra chave é “equipamento”. O primeiro álbum foi gravado num estúdio mais simples e com microfones não ideais para gravação de batera, mas com um bom resultado. Foi com minha batera de acrílico, montada no meio da sala de ensaio do Ultimate Estúdio, em Vila Isabel, zona norte do Rio. Precisou ser muito mexida para que tivesse a sonoridade do álbum. Já para o segundo disco, Twisted Desire, foi tudo diferente. Gravamos no estúdio “Casa do Mato” na Gávea, com uma sala própria e microfones e afins adequados para uma gravação de batera profissional mesmo. Show de bola. Sem mexer na batera, o som já ficou perfeito.
Site Batera: Compare os sets que você usou nos dois discos - pratos inclusive.
Adriano: No primeiro gravei com a batera de acrílico e pratos muito diferentes uns dos outros, tipo, um crash 16” leve e dois crashs maiores médios com um china improvisado (prefiro não comentar... risos). Além disso usei uma caixa utilizada na batera de ensaio, o que deu um certo trabalho para mixagem. Mesmo assim, tivemos um bom resultado.
No segundo gravei com uma RMV Concept Neo, com tons 10”, 12” e 14” (na frente como Tom) e surdo 16”, de chão. Os pratos usei todos de 17”, médios e um 18”, médio também. Um misto de Orion, Sabian e Octagon, que, aliás, tem um china muito bom, da série Dark. A grande diferença foi a caixa Super Power, com afinação mais baixa e sem sobra. O resultado vocês verão no novo CD que está chegando.
Site Batera: Quais são suas influências?
Adriano: Hard Rock anos 80 e 90; Rock anos 70 e alguns nomes: Cozy Powell, Eric Carr, Tommy Aldridge, John Bonham, Greg Morgan entre outros.
Site Batera: Você é um baterista de rock que toca ao vivo com click. Como é a sua relação com o metrônomo?
Adriano: No começo éramos meio estranhos, quase não nos falávamos! (risos)... Brincadeira. Tive um certo receio de não me adaptar ao vivo, o que é bem diferente de quando estou gravando. Se você errar ao vivo, f...
Mas tenho uma dica: o grande problema do click não é a levada - e sim as viradas ou quebradas. Preste muita atenção nas viradas e quebradas e o resto rola fácil, sem problemas. Hoje sinto que falta alguma coisa quando toco sem click, porque ele disciplina muito teu jeito de tocar.
Site Batera: Além disso, você é um dos poucos bateristas que ainda não se rendeu ao pedal duplo, por quê?
Adriano: Procurem no Youtube os seguintes nomes: Buddy Rich, John Bonham, Dennis Chambers e entendam porque não uso pedal duplo. Primeiro porque não se faz necessário pro som que costumo levar. Segundo porque vicia, pois se pegar uma batera com pedal simples você desaprende, pode ter certeza. Agora, para os estilos que pedem pedal duplo, sou totalmente a favor, mandem ver!!! Mas pra mim, não se faz necessário. O bom baterista tem que saber tocar muito bem também com pedal simples.
Site Batera: Para alguns, o rock é um estilo musical que limita o músico. Você concorda com isso? Como faz para que o seu tocar não seja limitado por um estilo?
Adriano: Limita em qual sentido? O problema das pessoas que fazem estas críticas é que elas não entendem que em alguns estilos ou situações o simples e básico soa melhor que muita informação. Um baterista de Rock não se torna limitado, a não ser que ele seja limitado em qualquer situação. As bandas atuais carecem muito de bons bateristas, como bons guitarristas, vocalistas e por aí vai. Muito baterista fera, que toca rock, também toca muito bem fora do Rock: Phil Colins, Steve Smith, entre outros.
Para não ser rotulado de “limitado”, a maneira de tocar tem que ser com identidade, com personalidade, e ao vivo, com muita presença e firmeza. Esse negócio de fazer um som assim ou assado porque está na moda é que causa esse tipo de comentário. Seja você mesmo e senta a baqueta!
Site Batera: Se você tivesse que se inspirar na trajetória de um baterista específico para ter sucesso como músico, quem seria?
Adriano: Resumo em uma pessoa: Rick Allen (Def Leppard). Exemplo de perseverança, de vida, de luta e principalmente, de amor ao que faz e ao Hard Rock. Parabéns a ele pelo exemplo que nos mostra a cada dia.
Site Batera: Adriano, valeu pela entrevista e deixe uma mensagem para a tribo do Site Batera.
Adriano: Um grande abraço a todos e principalmente aos bateras que curtem acima de tudo o Hard Rock. Toquem como se deve tocar e não como outros acharem que devem. Hard Rock não tem mistério: firmeza, criatividade e estilo. Tenha personalidade. Se quiser um set-up enorme, monte um. Se quiser 18 pratos, monte os 18 pratos. E acima de tudo, cabeça no lugar e curtam a vida pois ela é curta!