Como afino minha bateria?
Esse lance de afinação é uma coisa bem pessoal. Na verdade, você tem que deixar
a bateria com um som que te agrade. Não se preocupe em afiná-la com notas, como
por exemplo: tom 1 em DÓ, tom 2 em MI e surdo em SOL. Estando do seu gosto é o
que importa. Só o que você deve prestar atenção, é no tipo de som que você toca.
Se for um rock, use uma afinação mais "pesada", com peles mais grossas, tipo a
hidráulica, nos tambores. Na caixa, você pode colocar um aro de plástico para
eliminar os harmônicos (aquele som de lata). Se for um reggae, use peles mais
leves e afinação mais aguda, para imitar os sons de percussão que o estilo
exige. Já o bumbo, é sempre interessante deixá-lo "seco" e com um certo "peso".
Para isso, coloque uma almofada, cobertor ou um abafador apropriado para esse
fim. Note que cada tipo de pele, abafador e até o local onde está a bateria muda
o seu timbre. O básico de afinação você encontra no site na seção "conhecendo a
bateria". Lembre-se que seu estilo de tocar é único, e que seu som também pode
ser único. É isso aí, tente várias afinações e verifique qual te agrada mais,
ok?
O que eu faço pra aprender a leitura musical?
Para estudar teoria e leitura (partitura) seria interessante o acompanhamento de
um professor, pelo menos no início. No momento em que você compreende os valores
das figuras musicais e todos os símbolos contidos numa partitura, você já pode
se "virar" sozinho(a). Mas se você não tem condições de fazer aulas, pegue os
exercícios que tem no site e tente comparar o que está escrito com o som (MIDI).
Use as partituras também, para fazer uma comparação com a música original. O
lance é você fazer uma associação do que está escrito com o que você está
ouvindo, mesmo que você entenda 5% da partitura. Com o tempo, conforme você vai
aumentando seus conhecimentos, essa porcentagem vai aumentando para 10%, 15%,
20%, etc. Lembre-se que qualquer estudo tem um tempo mínimo para ser
compreendido. O maior erro é você tentar fazer tudo em um mês e ficar se
cobrando a todo momento. Dê tempo ao tempo.
Qual bateria é boa para um principiante?
Primeiramente, antes de gastar dinheiro, é importante você ter certeza de que
seu instrumento preferido é a bateria. Procure alguns amigos que tocam ou um
professor e faça um teste. Se você gostar, aí sim deve pensar em adquirir um
instrumento. Mas não se preocupe em ter uma batera fenomenal logo de cara! O
importante é que ela dê uma boa afinação e que as partes articuladas (pedal,
máquina de chimbal) funcionem bem. Ou seja, você deve verificar se a bateria não
é tão ruim a ponto de atrapalhar o seu desenvolvimento. Mas hoje em dia há uma
gama enorme de instrumentos bons. Apenas alguns poucos fabricantes insistem em
colocar no mercado umas tampas de panela e umas fórmicas mal coladas e chamá-las
de bateria. Dentre as marcas "boas e baratas" estão a Turbo e a Peace. Mas
lembre-se: você deve gastar tempo praticando, e não dinheiro colecionando
instrumentos.
Como afinar o bumbo?
Tanto para shows ao vivo quanto para gravações, eu afino as duas peles
do bumbo com a mesma tensão, mas não necessariamente numa nota específica. Cada
tambor tem um nível de afinação ideal. Não tente forçar um nível de afinação que
seja muito alto ou baixo para as dimensões do tambor. Quando você atinge o nível
de altura (afinação) natural do tambor, que é definido pelas suas dimensões, e
as peles estão bem afinadas, o tambor irá "cantar" e não produzir um som "morto"
ou um som de "plástico". Eu uso uma pele pinstripe REMO (batedeira) e uma
Ambassador (resposta). A pele da frente possui um furo de 6 a 8 polegadas para
oferecer várias opções de timbre quando microfonado. Isso permite que o
engenheiro tenha também várias opções de posicionamento do microfone para obter
o som desejado. Quanto mais próximo do centro do tambor estiver o microfone
(onde o pino do bumbo bate na pele), maior o impacto ou ataque captado pelo
microfone; e quanto mais deslocado do centro da pele, mais "cheio" será o som.
Eu sou da opinião que você deve deixar o som da sua bateria "soar". Eu tento não
abafar muito meus tambores. Uso um muffle no bumbo e todos os outros tambores
"abertos". É importante você controlar as "sobras", mas não "matar" o som de
seus tambores!
Qual a velocidade ideal para praticar os rudimentos?
Especialmente quando trabalhar com os rudimentos, é importante começar devagar,
num andamento confortável. Daí, gradativamente, aumentando a velocidade. Uma
grande parte dos bateristas querem ser rápidos logo e se preocupam apenas com a
velocidade. Mas não é bem assim que funciona. Bateria requer muita prática e
disciplina. Não espere estar apto a tocar rápido antes de tocar devagar, porém
corretamente!
É preciso ter uma bateria para começar a estudar?
Bem, é importante ter instrumento para praticar, mas se você tem apenas uma
caixa ou um pad de estudo, tudo bem. Há uma infinidade de exercícios que você
pode praticar. Comece com alguns rudimentos e suas variações. Você pode usar os
pés para marcar a cabeça dos tempos e os contra-tempos. Já é um bom exercício de
coordenação.
Sou principiante e ainda não tenho uma banda. Como poderias aplicar os
meus estudos?
Sempre que você ouvir o rádio ou suas músicas favoritas, comece a prestar
atenção na bateria. Tente identificar exatamente o que o baterista está fazendo
(tocando). Procure verificar o estilo do baterista. Veja se você gosta ou não.
Pergunte a você mesmo porque gostou ou não gostou. Se você gostou tente tocá-la,
se não gostou, que elementos que você mudaria? Toque a música usando suas idéias
e seus próprios elementos. Analise o resultado. Essa é uma ótima maneira de você
praticar e desenvolver um estilo pessoal.
Algumas peles
são brancas, outras pretas e outras transparentes. Há alguma diferença entre
elas?
Com certeza.
Se você comparar uma pele preta (Ebony) de 10" com uma transparente (Clear) de
mesmo diâmetro, vai notar uma enorme diferença. As peles pretas e as de filme duplo (Double Ply) têm um som mais pesado e mais
controlado, isto é, com menos harmônicos. Já as de filme simples (Single Ply) e
as porosas (Coated) oferecem um som mais agudo, com mais sobra de harmônicos. Em
geral, quando você quiser um som com mais projeção, como por exemplo num show ao
vivo, onde a bateria não está microfonada, você pode usar as peles de filme
simples, que vão soar mais. E quando quiser um som mais controlado, você pode se
usar as peles de filme duplo. Tudo isso depende muito do tipo de música que você
está tocando, do tipo de retorno que o ambiente dá ao som do seu instrumento, e
vários outros fatores. O melhor caminho é você testar o maior número de
combinações de peles que puder e usar aquelas que te dão o resultado que está
procurando.
O que é uma
bateria eletrônica?
São baterias
constituídas de Pads, ao invés de tambores convencionais. Estes pads são
elaborados para responder como uma bateria convencional e alguns modelos usam
peles de bateria acústica ou peles que simulam as mesmas.
Dentro do pad, há um sensor eletrônico (trigger).
Este sensor ‘percebe’ o grau de impacto que é
aplicado no pad e manda um ‘sinal’ ao módulo, que é o responsável pelo timbre.
Os timbres podem variar desde uma caixa acústica até o efeito de uma explosão,
passando por instrumentos de percussão, teclados, vozes, etc. Isso depende muito
da qualidade do módulo. Hoje em dia as baterias eletrônicas permitem com que o
baterista grave suas próprias composições em seu módulo, estude junto com loops
nas mais diversas fórmulas de compasso, monitore a intensidade das notas, e
muito mais. Outras vantagens são: o pouco espaço que uma bateria eletrônica
ocupa, a praticidade na hora de transportar e o controle total sobre o volume
final. Você pode praticar com fones de ouvido até mesmo na hora da novela, sem
criar confusão.
Como posso me
manter motivado?
O estudo de
um instrumento requer anos de prática e muitas vezes não conseguimos perceber
nossa evolução. Parece que estamos estagnados. Nesta hora, bate um desânimo.
Vamos ver algumas dicas que podem ajudar a mantermos a motivação em alta.
- Procure
estar sempre rodeado de músicos bons.
É contagiante a atitude positiva de músicos que estão “a todo vapor”.
- Compre um prato novo, um pedestal,
troque as peles da batera. Isso vai fazer com que você teste uma nova posição da
bateria, uma nova afinação, etc. Quando menos perceber, você estará em total
movimento.
- Ouça
grandes bateristas em CD e Vídeo.
Quanto mais você ouve e vê, mas quer chegar a
um nível próximo deles.
- Vá aos
workshops próximos de você! Se você não se
motivar com um bom workshop, então é bom rever o porquê toca bateria.
- Proponha metas para você mesmo.Não importa se
seus objetivos são pequenos no momento. O que importa é que eles te levam para o
que você acredita e te dão um senso de propósito na vida.
- Tome
algumas
aulas. Independente
do nível de experiência que temos, aulas nos dão abertura a novos pensamentos,
novas técnicas, novas visões do instrumento. Mesmo os grandes bateristas estão
sempre de “olhos e mentes abertas” ao que está surgindo de novo no mundo da
música. Isso mantém uma vontade de avançar, descobrir e crescer sempre!
É preciso
praticar todos os dias?
Há uma frase
que diz: “Se eu não praticar por um dia, eu mesmo vou perceber. Se eu não
praticar por dois dias, minha esposa vai perceber. Se eu não praticar por três
dias, meu púbico vai perceber”.
As horas que
passamos praticando são muito importantes para nós. Todos nós fazemos isso para
melhorar nosso desempenho. Entretanto, horas e horas atrás de um instrumento não
é garantia de desempenho. Aí vem aquele velho pensamento: quantidade versus
qualidade. Se o foco é claro e definido, então meia hora de estudo rende mais do
que três horas de “movimentos aleatórios”. Muitos bateristas não ‘praticam’;
apenas ‘tocam’ seus instrumentos. Isso quer dizer, eles apenas sentam lá e tocam
o que já sabem. Para uma prática efetiva, é interessante fazermos um
planejamento do que vamos estudar e analisar os resultados. Assim podemos ver o
progresso e construir um caminho com clareza.